Anticristo

Postado em Uncategorized em Outubro 31, 2009 por Carlos Corrêa

lars

Chaos reigns

# Para início de conversa, que conste nos autos: acho Dançando no Escuro um senhor filme, mas não compartilho da adoração que o pessoal tem pelo Dogville. O Manderlay eu nem vi.

# É meio decepcionante quando você lê por todos os lados que tal filme desperta reações de amor e ódio e quando tu vai lá e vê, simplesmente não entende o auê. Não odiei Anticristo. Muito menos amei. Só não gostei. Simples assim.

# Sinceramente, a violência – e tome violência – não chega a ser o problema do filme. Se o diretor ao menos fizesse ter sentido a mulher “pregar” uma bigorna na perna do cara, depois de fazer ele gozar sangue e um pouco antes de cortar o próprio clitóris com uma tesoura. Mas não. Acaba sendo a violência pela violência. É um Albergue da vida com pose de arte. Mas é a mesma porn torture dos outros.

# Mas enfim, se o próprio diretor, que também é o roteirista, disse que tava meio down e que o resultado ficou meio diferente do que ele esperava, quem sou eu para contestar?

# Tudo bem que filme é filme, não precisa ser tão real assim, mas tem alguns erros de continuidade que ficam muito escancarados. Logo no começo, o guri escorrega no parapeito da janela, o close mostra ele caindo pra trás. No take seguinte, ele tá caindo de frente. Mais adiante, ela aparafusa a “bigorna” na esquerda do tornozelo dele. Ele foge e tcharaaaammmm, a bigorna trocou de lado. Bom, isso falando em erros de continuidade, porque nem dá pra comentar os outros tipo a mulher fazer análise com o próprio marido e por aí vai.

# Em qualquer outro filme, um lobo falante seria ridiculo. Aqui, é arte. Aham, tá bom.

# Aliás, gosto é gosto. Da mesma forma que não gostei, é natural que muitos gostem. O que é irritante é a postura de quem adorou menosprezar quem não gostou. Uma coisa tipo “Humpf, não entendeu”. Sim, eu entendi. Só achei uma bosta

# Mina chata. Feia e chata. Aliás, parente da Cláudia Ohana e da Vera Fisher.

anti

Anticristo (2009) **

A Família Savage

Postado em Uncategorized em Outubro 31, 2009 por Carlos Corrêa

savages

We´re not in therapy now, we´re in real life.

# Existem alguns temas que depois de uma certa idade preocupam um pouco mais. Quando tu tem teus 15, 20 anos, a perspectiva de velhice dos pais ainda é uma coisa um tanto quanto distante. Quando tu passa dos 30, a coisa muda um pouco de figura e por mais que a questão ainda não seja “próxima”, não tem como não pensar um pouco nela. Eis que vem um filme como A Família Savage, que está longe de ser genial ou inesquecível, mas trata o tema com toda a naturalidade possível e te faz pensar, o que por si só já faz valer o filme.

# Não digo que dá medo de pensar no tema principal do filme. Acho que incômodo seria muito mais adequado.

# Nada como um baita ator e uma baita atriz para levar o filme nas costas. Qualquer outra estrelinha que não Philip Seymour Hoffman e Laura Linney poderia cair na tentação de ficar fazendo caras e bocas pra passar mais “dramaticidade”, como se para esse tipo de produção o “menos é mais” não fosse mais do que necessário.

# Sim, o velho do filme é uma mala sem alça.

# Não sei se é verdade ou não, mas não custa ficar olhando pros dedos do pé daqui pra frente.

# A Laura Linney ainda dá um belo caldo.

savage

A Família Savage (2007) ***

Apenas uma Vez

Postado em Uncategorized em Outubro 20, 2009 por Carlos Corrêa

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I have to go now

# Once é da turma de filmes que sempre ouvi falar bem e sempre tive vontade de ver, mas nunca me mexi de fato para ver. Até que um dia sem querer vendo a revista da Net, caiu de estar começando logo em seguida. Duas horas depois (nem isso), eu tinha total certeza de que devia ter me mexido antes.

# É tão melhor quando os filmes conseguem fugir das obviedades. Once não deve ter um beijo e nem por isso deixa de ser um dos romances mais “queridos” da safra mais recente. A platonice dos dois protagonistas (que não têm nomes, percebeu?) e o fato de ambos parecerem “de verdade” ajudam ainda mais na soma de pontos final. Ou no fundo eu que prefiro filmes sem finais tão felizes assim. Não pelo menos do modo óbvio.

# Certo, a história é legal, a forma despojada como é contada é bacana, mas é claro que o filme é o que é por causa da música. Eu tenho minhas implicâncias com musicais, mas como aqui não se encaixa exatamente no gênero, funciona. Mas é bom que os desavisados saibam que o ritmo de Once não é dos mais rápidos. Então senta e curte cada vez que começar uma música porque vai longe.

# A trilha funciona muito mais dentro do filme do que como um disco para se ouvir depois. Fora uma ou outra, pode soar deprê. Um nível quaaaaase Damien Rice. Anyway, as melhores nessa humilde opinião são Falling Slowly e Falling from the Sky.

# Salvo participações nos Simpsons e uma dele no ótimo e saudoso The Commitments, nem Glen Hansard, nem Markéta Irglová fizeram mais nada no cinema depois. Na real ambos são músicos e disseram que não pretendem mais atuar e sim concentrar-se nas carreiras.

# Observação do IMDB. Tem uma parte em que ele pergunta se ela ama o marido e ela responde: “Não, amo você”. Mas como ela fala isso em tcheco e imagino que assim como o personagem dele, nem eu nem você dominamos o tcheco…

untitled

Apenas uma Vez (2006) ****

O Diabo a Quatro

Postado em Uncategorized em Outubro 18, 2009 por Carlos Corrêa

soup

- Chicolini, give me a number from one to ten.
- Eleven.
- Right.

# Deixa de fora o cinema mudo. Todo o resto, mas assim, TODO o resto em termos de comédia foi influenciado por esses doentes geniais que são os irmãos Marx. Quando tu vê O Diabo a Quatro, tu tem a nítida impressão de que TUDO o que tu viu de lá pra cá são cópias. Melhoradas ou pioradas, mas todas cópias. Nonsense é pouco. É uma das coisas mais fora da casinha ever, e justamente por isso tão fantástico.

# Mais um argumento que mostra o quanto prêmios são relativos. Sabe quantos o filme ganhou? Nenhum.

duck

O Diabo a Quatro (1933) *****

Vestida para Matar

Postado em Uncategorized em Outubro 18, 2009 por Carlos Corrêa

kill

Don’t make me be a bad girl again!

# Não sei bem a razão, mas sempre tive a impressão de que esse Vestida para Matar era a versão do De Palma para o Disque M para Matar, do Hitchcock. Na real não tem absolutamente nada a ver. Mas assim, nada, tá mais para Psicose, mas nem rola falar muito…

# Aliás, não demora muito para sacar o “segredo” do filme, não? É muito mais, na falta de uma palavra melhor, chocante saber que a protagonista é puta do que saber que o médico é médica. Ou algo do gênero.

# Que safadinha a mãe do nerd, não?

# Mais um aliás. Quem diria que lá no início dos anos 80 a Nancy Allen dava um caldo, hein? Anos depois, nem o Robocop pegaria.

dresses

Vestida para Matar (1980) ***

Disque M para Matar

Postado em Uncategorized em Outubro 9, 2009 por Carlos Corrêa

dial2

- How do you go about writing a detective story?
- Well, you forget detection and concentrate on crime. Crime’s the thing
.

# Quando o diretor é foda, mas assim, muito foda, ele pode fazer um filme que se passa quase que todo em um único cenário, sendo esse cenário uma sala que nem grande é. E mesmo nesse espaço mais do que restrito, baseado praticamente apenas em diálogos, fazer um senhor filme de suspense. Hitchcok é mestre.

# Além de ser um baita diretor, o véio tinha um dos melhores gostos para mulher nos filmes dele. Taí a Grace Kelly que não me deixa mentir.

# Mais um filme que eu não acho o Hitchcock.

dial

Disque M para Matar (1954) ****

O Escafandro e a Borboleta

Postado em Uncategorized em Setembro 30, 2009 por Carlos Corrêa

borboleta

Autre que mon oeil, deux choses ne sont pas paralysées,

mon imagination et ma mémoire

# Como não descambar para o dramalhão em uma produção na qual o protagonista só consegue se comunicar com o mundo piscando com um olho? Larga isso na mão do idiota aquele que fez Marley e Eu e ele dá um jeito de colocar os filhos pequenos do cara chorando na primeira cena. Larga na mão do Michael Bay e ele faz o cara explodir caminhões com um controle remoto. Mas larga na mão do diretor Julian Schnabel e ele faz um belo filme. Dramático na medida certa, sem aquela necessidade de a cada cena gritar que está filmando uma história (real) de superação. Deixa que a história por si só emocione, não precisa forçar a barra. No final das contas, acima de tudo, O Escafandro e a Borboleta é um filme bonito.

# Nenhuma narração, nenhuma lembrança, nenhuma ideia mirabolante. Quando você assiste à primeira metade do filme na perspectiva do protagonista, um ex-editor da Elle francesa, com a visão prejudicada, mal enquadrada e sem foco, tu tem a certeza absoluta de que qualquer outra alternativa ficaria pior para deixar clara a mudança que um derrame fez na vida do personagem.

# Sim, você já viu Mathieu Amalric antes. O ator que faz o personagem Jean Dominique Bauby foi o vilão no 007 mais recente, o Quantum of Solace, e também dava as caras em Munique, do Spielberg.

# Para que se tenha uma ideia da obstinação do diretor em fazer o filme da melhor forma. Americano, aprendeu francês o máximo que pôde e não abriu mão de que o roteiro fosse em francês para aproximar o filme da história real. Foi além, fez questão de filmar nos mesmos lugares em que Bauby esteve, como o hospital e a praia.

# O livro que Bauby “escreveu” e que deu origem ao filme pode ser achado aqui.

escafandro

O Escafandro e a Borboleta (2007) ****

Pecados Íntimos

Postado em Uncategorized em Setembro 24, 2009 por Carlos Corrêa

little

We’re all miracles. Know why? Because as humans, every day we go about our business, and all that time we know… we all know… that the things we love…the people we love, at any time now can all be taken away. We live knowing that and we keep going anyway. Animals don’t do that.

# Em poucos filmes a expressão “tensão sexual” cabe tão bem quanto nesse Pecados Íntimos. Da mesma forma que fica evidente que vai rolar algo entre o casal de protagonistas, fica na cara que vai dar merda.

# Tem um lance meio curioso no filme. O tempo todo ele é narrado por alguém que dá uma entonação quase de fábula para a história. A questão é: tem uma moral da história? Por mais que o final seja, de certa forma, conservador (já que tudo fica como estava, ao menos nas aparências), não é um filme que dê para rotular de conservador. No fundo, o final é o de menos, já que interessa mesmo são os questionamentos que ele vai levantando pelo caminho. Se quem está do lado de cá da tela parou pra pensar, já valeu a pena.

# Ele parece parente do Daniel Day Lewis, mas não tem nada a ver. Jackie Earle Haley, que não filmava há 13 anos, ganha o filme pra si toda vez que entra em cena. A sequência final é tão chocante quanto triste e ele consegue captar esses dois lados de forma perfeita. Até rolou uma indicação pro Oscar, mas perdeu pro vô malucão do Alan Arkin na Pequena Miss Sunshine. Na real, pelo papel do pedófilo ele recebeu nove indicações e voltou pra casa com sete delas, incluindo aí NY e Chicago Film Critics.

# Eu já devo ter dito isso antes, mas enquanto ela não sorrir, sigo repetindo em todo filme da Jennifer Connelly. O que ela tem de linda e maravilhosa, tem de triste. Ela tá SEMPRE com uma cara de puta merda. Ok, ela pode.

# Longe de ser uma crítica, mas assim, loooooonge: a Kate Winslet não paga imposto pra tirar a roupa no cinema, hein?

# No filme não existe nada, mas no livro que originou a adaptação, o marido da Kate Winslet vai pra California encontrar a famosa e acima de tudo comportada Slutty Kay.

pecados

Pecados Íntimos (2007) ****

In His Life: A História de John Lennon

Postado em Uncategorized em Setembro 23, 2009 por Carlos Corrêa

his lif

Nothing is gonna stop us now, lads.

# Fora os filmes com os próprios tipo Yellow Submarine e A Hard Day´s Night e depois aquele Backbeat (que era muito mais focado no Stu), não lembro assim de cabeça nenhum filme sobre os Beatles, fora documentários. Pra mim era o Backbeat e pronto. Aí ano passado fui pra Liverpool e fazendo a Magical Mistery Tour (com direito a bus pintado e tudo mais), o guia fala que o melhor filme sobre a banda tinha sido feito por lá mesmo, com pessoal de lá e se chamava In His Life. Obviamente não achava o tal filme em lugar nenhum, nem mesmo para baixar. Até que, surpresa, num domingo desses passou na VH1. E não é que o guia tinha razão?

# In His Life não é exatamente um filme sobre os Beatles, é sobre o John Lennon. Mas não tem muito como separar uma coisa da outra. Também não cobre toda a carreira dos Fab 4, o filme termina quando eles estão indo pros EUA.

# Por que In His Life é tão bacana? Primeiro porque não faz do John Lennon um super herói ou mesmo um cara bonzinho e fodão. Na verdade, tem horas que tu acha ele um grande dum FDP, mas não custa lembrar que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Era gênio e ponto. Assim como Paul também era. Segundo, porque o elenco é fodido. Dependendo do ângulo da cena, os atores são iguais, principalmente John e Paul e, mais tarde, o Ringo. O Brian Epstein também é muito parecido. O George é quem mais fica devendo e, pelo filme, passa a impressão de ser um tanso.

# Philip McQuillan Phoenix nasceu na irlanda quando os Beatles já tinham terminado há uns bons anos. A interpretação dele do John Lennon algumas vezes é forçada, como se ele quisesse mostrar demais alguma coisa quando não precisa. Mas aí tu fecha os olhos e só escuta o personagem. O guri fala IGUAL ao Lennon. Não é parecido, é IGUAL. E aí não tem como não tirar o chapéu.

# A trilha… bem, não preciso falar da trilha do filme, não é verdade?

his life

In His Life: A História de John Lennon (2000) ****

Dias Incríveis

Postado em Uncategorized em Setembro 23, 2009 por Carlos Corrêa

school

You think I like avoiding my wife and kids to hangout

with nineteen year old girls everyday?

# Nunca tinha ouvido nada sobre Dias Incríveis até o trailer de Se Beber Não Case. Por coincidência, logo depois de ver o filme dos aloprados em Vegas, tava folheando a revista da Net e vi que ia passar. Dublado, mas enfim, era o que tínhamos para o momento.

# O começo é engraçado por ser tão, mas tão absurdo (o que é o Mitch-A-Palooza). Ali o filme te pega. Depois, mantém pelo fato de ser uma produção “de amigões” e por ter dois caras que é preciso admitir, são muito engraçados: Vince Vaughn e, principalmente, Will Ferrell. Ok, se você for mulher, talvez não curta tanto.

# A Elisha Cuthbert é uma gracinha. Mas vamos combinar que ela não passa mais por menor de idade, né?

# A cena da aula de boqu.. ops… enfim, a cena é genial. Não esqueçam dos…

# Falando sério. O que parece ser um problema para Dias Incríveis é que ele fica no meio do caminho. É mais “inteligente” do que uma simples comédias de adolescentes, mas bobo demais para ser uma comédia adulta.

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Dias Incríveis (2003) ***