Spread

Postado em Uncategorized em Dezembro 13, 2009 por Carlos Corrêa

- It´s seven.
- It´s not seven.

# Imagino que a ideia era fazer de Spread o instrumento perfeito para que Ashton Kutcher virasse o cara mais fodalhão do cinema atual entre as mulheres. O cara passa pelo menos um terço do filme sem camisa e fazendo zoinho. Como o filme fracassou, o marido da Demi Moore não chegou lá.

# Não importa se é mocinho ou vilão, protagonista tem que ter carisma. E também não importa se o cara é um idiota ou ou FDP, um roteiro bem escrito e/ou uma boa atuação seguram as pontas direitinho. O Silêncio dos Inocentes tinha um canibal de protagonista e te prendia. Um Grande Garoto mostrava um cara que mentia que tinha filho só pra comer mães solteiras e era legal. O Ashton Kutcher de Spread é um babaca, um idiota, só isso. Não é um tanso que faz coisas tansas com boas ou ingênuas intenções, é um sanguessuga simplesmente. E pra completar, a namoradinha dele no filme é a mesma coisa.

# Ok, é difícil tirar leite de pedra com tantos clichês. A história do cara que se acha irresistível mas que toma um não, aí se apaixona pela guria do não e faz de tudo para mudar de vida meio que já cansou, não?

# A ideia era transformar o protagonista em um novo ícone da moda? Com aqueles lenços no pescoço e…e… suspensório?!?!?!?!

# A namoradinha vagabinha atende pela graça de Margarita Levieva e é muito gata, é verdade. Mas confesso que nesse aspecto me chamou muito mais atenção o quanto a Anne Heche, ex-Ellen DeGeneres, está absurdamente sensual e gostosa. Absurdamente.

# Ah, ponto a favor. TODAS as gostosas, mas assim TODAS, aparecem peladas.

# Quantas vezes eu preciso ganhar na Mega-Sena para ter aquela cobertura? Duas vezes só não adianta.

# Nojenta a cena do sapo, não?

Spread (2009) **

Crepúsculo

Postado em Uncategorized em Dezembro 13, 2009 por Carlos Corrêa

You don’t know how long I’ve waited for you.

# Perdoai-vos, Bram Stoker. Eles não sabem o que fazem.

# Na boa, Crepúsculo é meio que nem o Beckham. Nem tão bom quanto os fãs dele acham, mas também longe de ser a bosta que quem não gosta acusa.

# Eles nunca são vistos quando tem sol, tem a vida inteira 17 anos, são mais brancos que anêmico em estado terminal e NINGUÉM desconfia de nada?

# É uma história teen. Então claro que é preciso dar um desconto. Se eu achar o filme ótimo, bem, então tem alguma coisa errada. E apesar de toda a caretice de Crepúsculo, vamos combinar que ele até que é indolor, dá pra ver sem maiores problemas. E o par de protagonistas segura a onda bem na boa.

# Daí a achar esse Robert Pattinson um galã, só uma descerebrada de 13 anos…

# Quer mudar um aspecto que já faz parte da mítica? Tenta ao menos mudar para melhor. Os vampiros não morrem mais com a luz do sol? Beleza. Mas daí a ficar douradinhos? O que? A luz do sol transforma o vampiro-emo em uma boneca pintada com purpurina dourada!!! Aí não dá.

# A autora da trilogia, Stephenie Meyer, rende, não?

# Cada geração tem a sua releitura de vampiros que merece. Eu ao menos nos anos 80 via Os Garotos Perdidos.

# A versão de Drácula de 1992, do Coppola, continua sendo a top-top quando o assunto é vampiro. Logo atrás vem o Nosferatu original, de 1933. Depois o resto.

Crepúsculo ( 2008 ) ***

Os EUA contra John Lennon

Postado em Uncategorized em Dezembro 13, 2009 por Carlos Corrêa

I believe time wound all heels

# John Lennon foi o melhor do Beatles e ser o melhor da melhor banda de todos os tempos, concorrendo com Paul e George não é pouca coisa. A diferença é que Lennon é um personagem muito mais interessante do que os outros porque não se resume à música. Qualquer um que conhece um pouquinho da história dos Beatles sabe também que Lennon passa longe da perfeição em termos de caráter. Ainda assim, nosso Fab Four favorito foi inegavelmente um ícone e nesse aspecto ligado a coisas positivas, e nem só de música estamos falando. Se colocar tão radicalmente e tão explicitamente contra a guerra nos anos 60 não era lá um exercício tão fácil, como o filme deixa bem claro. Combater algo tão sinistro, mas objetivo com palavras é quase que unicamente utópico. Mas se ninguém for utópico, o que sobra? E a mensagem era bem simples: all we are saying is give peace a chance. Pena que não deram e continuam não dando.

# Os EUA são tão mais vilões tão mais fdp em documentários do que em filmes de ficção…

# Aquele velho ditado da “justiça tarda, mas não falha” é verdadeiro. Mas o não falha não é mérito da justiça, e sim do tempo. Sempre têm idiotas suficientes para defender idiotas maiores que apitam ou querem apitar. É o tempo que vai se encarregar de mostrar o quão idiotas essas pessoas eram. Mas esquece, isso nunca acontece quando tu quer, é sempre muito tempo depois. Ou alguém agora diz que votou no Collor e na Yeda? Por isso, Lennon estava mais do que com a razão quando, terminada finalmente toda a ronha judicial, alguém pergunta pra ele se está com remorso ou algo do gênero, e ele responde algo como “Absolutamente. Acredito que o tempo se encarrega dos babacas”.

Os EUA contra John Lennon (2006) ****

Terra de Sonhos

Postado em Uncategorized em Dezembro 11, 2009 por Carlos Corrêa

It’s not “José, can you see”, it’s “Oh say, can you see”

# Terra dos Sonhos é o que é, um baita filme, por vários motivos, da habitual qualidade do Jim Sheridan, diretor e roteirista à qualidade do elenco encabeçado por Paddy Considine, Samantha Morton e Djimon Hounsou. Mas mais do que tudo, o que faz a diferença toda a favor do filme são as guriazinhas, que impressionam pela naturalidade com que encaram uma história que de meiguinha não tem nada. A menorzinha, Emma Bolger, então, entra direto num Top 5 de crianças mais fofas da história do cinema.

# As duas guriazinhas são irmãs de verdade. De acordo com o IMDB, a mais velha ganhou o lugar no filme indicada pela mais nova.

# A fotografia e a direção de arte são tão boas que tu pode estar a cinco graus em casa, que vendo o filme vai sentir o calor que eles sentem no filme.

# Samantha Morton joga no mesmo time da Jennifer Connelly e do Jim Caviezel. Podem interpretar um vencedor da Mega Sena que parecem as pessoas mais tristes do mundo.

# E mais uma vez a minha tese se confirma. Se tu quer usar o Oscar como referência de qualidade, esquece a categoria melhor filme. Vai direto em roteiro. Terra dos Sonhos não levou o prêmio, mas perdeu pra Lost in Translation, então tá na boa.

# Qual é a doença do negão afinal?

Terra dos Sonhos (2002) ****

This Is It

Postado em Uncategorized em Dezembro 8, 2009 por Carlos Corrêa

It’s like someone’s shoving their fist in my ear!

# Eu tinha não um, mas dois pés atrás em relação a This Is It. Um filme montado às pressas depois da morte do Michael Jackson para ainda lucrar em cima do bafafá que foi a cobertura tinha tudo para ser apenas um caça-níquel.

# Os melhores momentos do filme são justamente aqueles que evidenciam como ele poderia ter sido melhor. É claro que a ideia original não era produzir um documentário e sim um farto material de extras para o DVD do show. Quando vai pro lado do documentário, é ótimo. Mostra os bastidores da criação do show, os detalhes, o comportamento do astro e não apenas os ensaios. Acompanhar o processo todo é interessante para caramba, o detalhismo dele em achar o número perfeito de notas, nenhuma batida fora do lugar. Cada música é muito, mas muito lapidada antes de chegar até nós.

# Por outro lado, são nesses momentos de bastidores que Jackson passa a impressão de ser realmente um personagem. Ele é o dono do show, um dos caras mais fodalhões da música mundial. E mesmo assim, ali, no ensaio do show DELE fica pedindo por favor, falando mansinho, quase acuado. Ao ensaiar uma música pede desculpa aos dançarinos por não cantar mais porque estava poupando a voz. Porra, o Michael Jackson não precisa pedir desculpas pra dançarinos por nada!!!! A parte em que ele reclama do volume do retorno chega a ser tragicômica com ele reclamando como uma criancinha chorona: “sim”, “não”, “tá bom”. Inseguro era pouco…

# A cara dos dançarinos explica melhor do que qualquer coisa o fascínio que Jackson exercia em quem admirava a música dele.

# Cá pra nós, tinha tudo para ser O show, hein? Thriller com fantasmas voando pela plateia ao menos ali pareceu fantástico.

# Boa aquela guitarrista. Nos dois sentidos. Pensando bem, não. Só musicalmente.

# Podia ter mais o moonwalk, não?

This Is It (2009) ***

Distrito 9

Postado em Uncategorized em Dezembro 1, 2009 por Carlos Corrêa

Always remember that a smile is cheaper than a bullet.

# A primeira vez que fiquei sabendo do filme foi num site de pôsters, quando me deparei com esse teaser aqui de baixo. Sensacional, diga-se de passagem. Ali já deixava claro que não seria um filme qualquer.

# Distrito 9 é um grande filme de ficção científica com uma boa dose de teor político, não o contrário. Quem for ao cinema esperando um filme majoritariamente político vai se decepcionar e cometer de certa forma uma injustiça com a produção. É claro que as analogias são evidentes, ainda mais quando a história é centrada no país do Apartheid, mas essas questões todas surgem com força no início e depois são deixadas de lado. Ao invés de reclamar, lembra que poderia ser simplesmente mais um filme de ficção.

# A Mosca + Robocop + Transformers + política = Distrito 9

# Não sou da turma que acha que efeitos especiais bons são aqueles que você nem se dá conta que estão ali. O vilão surgindo do chão ou atravessando as grades no Terminator 2 comprovam minha tese. Mas em um filme como esse aqui, no qual a ideia do diretor é muito de passar em grande parte a imagem de um documentário ou ao menos uma reportagem (vide a constância da câmera tremida), é essencial que os efeitos não descambem pro absurdo ou pro exagero. E méritos aos responsáveis de Distrito 9. Os ETs são perfeitos, as armas, as máquinas, tudo. Nada distoa nem se sobrepõe à história, o que é o mais importante.

# Grande, mas grande trabalho de Sharlto Copley, que convence tanto enquanto é um burocrata babaca como depois, quando vira um herói desesperado.

# Nenhuma dúvida quanto à possibilidade de continuação, né?

Distrito 9 (2009) ****

Mamma Mia!

Postado em Uncategorized em Novembro 14, 2009 por Carlos Corrêa

mia

You wait 20 years for a dad and then three come along at once

# Vamos às coisas boas de Mamma Mia. A guriazinha, Amanda Seyfried, é baita gatinha e os cenários são muito bonitos – até porque imagino ser difícil que a Grécia não o seja.

# Vamos às coisas ruins. Mamma Mia é a pior coisa que o cinema fez nos últimos tempos. Mamma Mia é um musical no qual as canções do Abba (!!!) ganham uma nova roupagem, como se as originais não fossem xaropes e bregas o suficiente. Mamma Mia expõe atores supostamente sérios como Pierce Brosnan e, principalmente, Meryl Streep a níveis de um ridículo poucas vezes visto antes na tela grande. Colin Firth parece que faz o mesmo papel – chato – a vida inteira. As duas amigas da personagem principal entram direto num top 5 de criaturas mais irritantes ever. Mamma Mia é baseada numa peça de teatro, o que me faz lamentar o fato de não existir mais a revista do Casseta Popular onde eles vendiam uma camiseta na qual na frente estava “Vá ao teatro” e nas costas “Mas não me convide”.

# Acho que é fácil de fazer a relação prós e contras.

mamma

Mamma Mia! ( 2008 ) *

Bastardos Inglórios

Postado em Uncategorized em Novembro 14, 2009 por Carlos Corrêa

inglorious

Nein nein nein nein nein nein!

# Eu sou uma das sete pessoas no mundo inteiro que não vê nada demais no Pulp Fiction. O Cães de Aluguel faz tanto tempo que, sério, não lembro. Mas acho Kill Bill fantástico, principalmente o dois. Portanto, não tenho nada contra o Quentin Tarantino, nunca tive. O que me incomoda um pouco são os fãs do Tarantino. Aqueles que já saem elogiando o filme sem ter visto e que acham qualquer frase a coisa mais original da história. Meio como os imbecis desses programas de “debate” em rádio FM, quando um fala uma piada tipo “O palhaço caiu” e todos os outros patetas ficam rindo como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. Mais que isso, o que incomoda é o pedantismo dos fãs mais radicais do Tarantino, aqueles que menosprezam todo mundo que não paga pau pro cara. Assholes.

# Bastardos Inglórios é um belo filme. Tem diálogos afiados, boas interpretações, sacadas originais e, principalmente, um timing perfeito nas cenas. Nada está fora de hora. As mais tensas cenas passam devagar e tu nem percebe porque o diretor consegue te puxar tanto pra dentro do filme que tu curte cada minuto. Só, sorry fãs, não é uma obra-prima.

# Faz tempo que o Brad Pitt virou um ator respeitável ao invés de um modelo na frente das câmeras. A loirinha Mélaine Laurent é une jolie fille, mas em Bastardos Inglórios não tem pra ninguém, o filme é todo de Christoph Waltz, que faz um dos vilões mais inteligentes e perspicazes ever.

# Pode até ser um pouco do velho lance da expectativa, em que tu espera tanta violência nos filmes do Tarantino que na hora acaba achando que nem é tanto assim. Mas no caso dele acho que é diferente. É o tratamento dado a violência que te faz encarar diferente. É muito mais pastiche do que chocante as cenas supostamente violentas. Na real, não tem nenhuma chocante. O que, no fundo, é bom.

basterds

Bastardos Inglórios (2009) ****

Anticristo

Postado em Uncategorized em Outubro 31, 2009 por Carlos Corrêa

lars

Chaos reigns

# Para início de conversa, que conste nos autos: acho Dançando no Escuro um senhor filme, mas não compartilho da adoração que o pessoal tem pelo Dogville. O Manderlay eu nem vi.

# É meio decepcionante quando você lê por todos os lados que tal filme desperta reações de amor e ódio e quando tu vai lá e vê, simplesmente não entende o auê. Não odiei Anticristo. Muito menos amei. Só não gostei. Simples assim.

# Sinceramente, a violência – e tome violência – não chega a ser o problema do filme. Se o diretor ao menos fizesse ter sentido a mulher “pregar” uma bigorna na perna do cara, depois de fazer ele gozar sangue e um pouco antes de cortar o próprio clitóris com uma tesoura. Mas não. Acaba sendo a violência pela violência. É um Albergue da vida com pose de arte. Mas é a mesma porn torture dos outros.

# Mas enfim, se o próprio diretor, que também é o roteirista, disse que tava meio down e que o resultado ficou meio diferente do que ele esperava, quem sou eu para contestar?

# Tudo bem que filme é filme, não precisa ser tão real assim, mas tem alguns erros de continuidade que ficam muito escancarados. Logo no começo, o guri escorrega no parapeito da janela, o close mostra ele caindo pra trás. No take seguinte, ele tá caindo de frente. Mais adiante, ela aparafusa a “bigorna” na esquerda do tornozelo dele. Ele foge e tcharaaaammmm, a bigorna trocou de lado. Bom, isso falando em erros de continuidade, porque nem dá pra comentar os outros tipo a mulher fazer análise com o próprio marido e por aí vai.

# Em qualquer outro filme, um lobo falante seria ridiculo. Aqui, é arte. Aham, tá bom.

# Aliás, gosto é gosto. Da mesma forma que não gostei, é natural que muitos gostem. O que é irritante é a postura de quem adorou menosprezar quem não gostou. Uma coisa tipo “Humpf, não entendeu”. Sim, eu entendi. Só achei uma bosta

# Mina chata. Feia e chata. Aliás, parente da Cláudia Ohana e da Vera Fisher.

anti

Anticristo (2009) **

A Família Savage

Postado em Uncategorized em Outubro 31, 2009 por Carlos Corrêa

savages

We´re not in therapy now, we´re in real life.

# Existem alguns temas que depois de uma certa idade preocupam um pouco mais. Quando tu tem teus 15, 20 anos, a perspectiva de velhice dos pais ainda é uma coisa um tanto quanto distante. Quando tu passa dos 30, a coisa muda um pouco de figura e por mais que a questão ainda não seja “próxima”, não tem como não pensar um pouco nela. Eis que vem um filme como A Família Savage, que está longe de ser genial ou inesquecível, mas trata o tema com toda a naturalidade possível e te faz pensar, o que por si só já faz valer o filme.

# Não digo que dá medo de pensar no tema principal do filme. Acho que incômodo seria muito mais adequado.

# Nada como um baita ator e uma baita atriz para levar o filme nas costas. Qualquer outra estrelinha que não Philip Seymour Hoffman e Laura Linney poderia cair na tentação de ficar fazendo caras e bocas pra passar mais “dramaticidade”, como se para esse tipo de produção o “menos é mais” não fosse mais do que necessário.

# Sim, o velho do filme é uma mala sem alça.

# Não sei se é verdade ou não, mas não custa ficar olhando pros dedos do pé daqui pra frente.

# A Laura Linney ainda dá um belo caldo.

savage

A Família Savage (2007) ***