Gigante

inter.jpg

Chama a atenção o fato de o Brasil nunca ter conseguido produzir um grande filme sobre futebol. Se bem que se formos contar os grandes filmes no Brasil, independentemente do ponto central, faz sentido. Mas enquanto uma boa história de ficção envolvendo futebol não vem, a gente vai se virando com os documentários. Particularmente, o Rio Grande do Sul tem feito umas coisas legais. Mais particularmente ainda, Inter e Grêmio. Os azuis fizeram dois sobre o jogo que tirou o time da Segundona: A Batalha dos Aflitos é bem honesto, enquanto Inacreditável torra o saco de tão forçado. Aí o Inter ganhou a Libertadores ano passado e lançou Um Dia Sem Fim, também honesto, mesmo com umas barras meio forçadas. Então pra desempatar o Gre-Nal, Gustavo Spolidoro dirigiu Gigante – Como o Inter Conquistou o Mundo. É o melhor dos quatro. Deu Padre Cacique nessa decisão.

Por mais heróica que tenham sido as conquistas da Série B pelo Grêmio e da Libertadores pelo Inter, nenhuma em termos de história chega perto do que Fernandão, Iarley e companhia fizeram no Japão ano passado. Logo, nesse ponto a vantagem era colorada. E o filme não desperdiçou. Talvez não seja o tipo de produção pra ser vista no cinema – volta e meia eu tinha a impressão que a imagem ficava distorcida por estar tão grande -, mas para a torcida vale como mais uma experiência. Eu particularmente acho um saco gente falando no cinema, e não acho que comemorar gol ou título na sala escura sejam exceções, é chato igual, quebra o clima.

Futebol não tem lógica nenhuma, então é bom levar uma caixa de lenços, porque qualquer colorado vai chorar nos discursos do vestiário, na hora do embarque pro Japão, na hora da volta, na hora do gol e em outras várias cenas. Mas tudo bem, todo mundo que eu conheço que viu até agora disse que chorou, então vai tranqüilo. Por que ele é melhor que os outros três citados antes? Porque à exceção das irritantes vezes em que o atual presidente fala, no resto ninguém se preocupa em aumentar ainda mais o feito. Nem precisa. Ganhar do Barcelona com Ronaldinho, Deco e aquela turma toda já é por si só uma façanha. Então a grande sacada foi colocar os protagonistas falando e preencher com muitas imagens de bastidores, justamente o que faltava, por exemplo, no da Libertadores. Em duas ou três cenas fica claro que a liderança do Fernandão é decisiva e, surpresa, que a vitória não foi um aborto da natureza nem um golpe de sorte, mas fruto de uma estratégia armada meses antes e levada à risca pelo time. Talvez como documentário esse seja o grande legado do filme. Para o torcedor, no entanto, vale como muito mais, até porque resgata com perfeição o clima todo daqueles dias. Tanto que à medida que o jogo vai terminando, o nervosismo cresce. Tanto que já não se tem mais tanta certeza que aquela falta do Ronaldinho aos 40min do segundo tempo não vai entrar dessa vez…

Eles não são invencíveis

gigante.jpg

Trailer

Uma resposta para “Gigante”

  1. [...] NO HAY BANDA Por Carlos Corrêa « Gigante [...]

Deixe uma resposta