Arquivo de dezembro, 2007

Inland Empire

Posted in Uncategorized on dezembro 31, 2007 by Carlos Corrêa
inland111.jpg

Sinceramente? Não entendi chongas nenhuma do Inland Empire. Perto desse, o Cidade dos Sonhos tem um roteiro retinho, retinho. Ok, não entender os filmes do David Lynch nem sempre quer dizer que ele é ruim. O próprio Cidade dos Sonhos é um belo exemplo. Na primeira vez que vi, boiei em trocentas coisas, mas ainda assim só pelas sensações que ele te passa, saí do cinema achando genial. O problema é que com Inland Empire não rola a mesma coisa. Pior, lá pelas tantas rola um cansaço. Quando tu se dá conta que vai passar as próximas duas horas (ele tem três) vendo cenas sem nenhum nexo aparente, tu dá uma respirada fundo, se ajeita de novo na poltrona e segue o baile.

Inland Empire não é ruim. E só não é porque algumas das sensações estão lá de novo, dessa vez quase que só o medo. E tome medo. É incrível como Lynch nos faz sentir medo mesmo sem saber a razão, até porque enredo necas. E o mais sacana é que em determinados momentos, ele te dá algumas pistas que te fazem voltar pro filme achando algo do tipo “ah, quem sabe é isso…”, mas logo ali adiante ele muda tudo de novo, a fulana já virou a beltrana, mas que pensa que é a ciclana. Aquelas coisas todas dele. Com as bizarrices habituais, como a cena em que as gostosas começam a dançar.

Ter feito tudo em processo digital deu não apenas mais liberdade para o diretor como também ajudou a criar um ambiente ainda mais perturbador, já que é incrível como o que não parece cercado de névoa é escuro, o que só aumenta uma sensação meio claustrofóbica. Aí pra completar, nos créditos aparecem alguns dos “personagens” mais conhecidos da filmografia do Lynch. Com tantos coelhos, ciganos, poloneses, putas e por aí vai até dá pra pensar como eram as gravações, na qual os atores bolavam as cenas na hora mesmo. Saiu a viagem que saiu.

O pior é ler críticas dizendo que com cinco minutos dá pra sacar qual é a do filme… Eu em três horas não saquei nada, isso garanto. Na boa? Tem horas que dá a impressão que Lynch faz coisas cada vez mais absurdas pra se divertir lendo as análises e conclusões de quem diz ter decifrado tudo.

This is a story that happened yesterday. But it´s tomorrow

inland.jpg

Trailer

Críticas

Serpentes a Bordo

Posted in Uncategorized on dezembro 15, 2007 by Carlos Corrêa

snakes.jpg

Assim, Serpentes a Bordo não é ruim. É claro que está longe de ser um filme brilhante ou quem sabe até mesmo um filme bom. Também não dá para dizer que é uma boa Sessão da Tarde porque não vejo algum canal de TV aberta botando à tarde um filme com cobras mordendo picas e peitos. Mas Serpentes a Bordo é divertido. E sendo um bom trash movie, é angustiante. E se consegue deixar nervoso quem está assistindo, é porque funciona. Nesse caso, 105 ansiosos minutos.

Como bom trash, o filme não perde tempo enrolando muito para dar a real da história. Um carinha que vai testemunhar contra um japa-gângster-fodão viaja do Havaí para L.A. Só que, claro, o japa quer ver ele sete palmos abaixo da terra. Como os capangas dele não conseguiram matar o dito cujo, a saída é botar tudo quanto é tipo de cobras escondidas em um avião. Daí pra frente já viu…

Talvez seja cômodo tratar o filme como trash, porque daí parece que perde a obrigação de ser bom. Ou seja, se for ruim, não é ruim, é trash. Só que tem trash que é chato. Esse é engraçado. O primeiro ataque das cobras é num casal que resolve fornicar no banheiro. As cobras taradas vão direto nos peitos da gostosona. A vítima seguinte toma uma picada e diz a sensacional frase: “Cobra fodida! Solte o meu pau!”. Caramba, eles conseguiram botar até uma sucuri no filme e ela engole o cara inteiro. Fantástico. No top 5 das melhores mortes no filme, tem ainda o cara que no corre-corre, é pisoteado por uma velhinha de salto alto. Que claro, em detalhes, crava o salto no ouvido dele.

Algumas das tramas são tão ruins que entram para aquele time em que a gente vê o filme e depois fica comentando as cenas e rindo com os amigos. Mas… Mas a verdade é que apesar de todas essas risadas durante Serpentes sabe manter o suspense. Com uns 20 minutos de filme, tu pensa “putz, ainda falta uma hora e meia nessa ansiedade”. E o melhor é que eles seguram a onda às custas de muito exagero. Sempre que parece que a coisa vai dar uma aliviada, vem uma merda maior. Com a diferença que por ser um filme trash, tu não sabe o que vai acontecer. Já que nem os mocinhos estão livres das picadas.

Ssssssssssssssssssssssnakes.

Fucking snake. Get off my dick!

 snakes2.jpg

Trailer

Críticas

Gilda

Posted in Uncategorized on dezembro 14, 2007 by Carlos Corrêa

gilda.jpg

Filme clássico por aqui é quase sempre a mesma coisa: acabo sempre deixando para depois e finalmente quando vejo acho sensacional. Com Cantando na Chuva foi assim e agora com Gilda a mesma coisa. Vale cada minuto, cada frase, cada cena.

Para início de conversa, descobri com alguns minutos de filme que passei a vida inteira falando o nome errado (ou aportuguesado), já que a pronúncia correta da personagem é Guilda. Pois bem, como todo filme bom, Gilda não precisa de alguns poucos minutos para atrair a tua atenção. A história é simples até certo ponto, do malandro (Glenn Ford) que é salvo por um dono de cassino e passa a trabalhar para ele, até que esse se casa e a história em si muda. O mais interessante, de longe, é o que o filme passa a sugerir. Mesmo que lá pelas tantas ele confirme tudo, muito antes disso o público saca que há uma relação especial entre o malandro Johnny e Gilda. As frases, os olhares, a tensão que é permanente sempre que os dois estão em cena é fora de série. Seria um perfeito jogo de gato e rato, não tivesse além deles outro personagem envolvido, o que só aumenta a graça.

Em tempos de greve de roteiristas lá fora, chega a ser sem graça o que os caras faziam no passado com o que fazem hoje. Gilda é um filme elegante e inteligente do começo ao fim. Não tem uma frase perdida, uma frase que seja boba. É por elas que passam a noção do quanto um relacionamento pode deixar marcas, sejam boas ou ruins. Johnny aparentemente é o durão e Gilda a misteriosa meio vagaba. Ou não, porque as entrelinhas não entregam nada assim de mão beijada.

Claro, Rita Hayworth é um capítulo à parte. Não fosse o filme tão bom e ela estaria naquele nível de beleza que atrapalha a produção, já que com ela em cena fica complicado prestar atenção em outra coisa. A cena em que ela dança e canta e lá pelas tantas tira uma das luvas e fica balançando é mais sensual do todos esses pseudo-strips que rolam na novela das 8.

Staristics show that there are more women in the world than anything else. Expect insects.

gilda2.jpg

Cena

Críticas

Leões e Cordeiros

Posted in Uncategorized on dezembro 7, 2007 by Carlos Corrêa

lions.jpg

Filmes sérios são geralmente bons. Ainda mais quando não têm tempo para enrolação, é informação atrás de informação. No caso de Leões e Cordeiros, diálogo atrás de diálogo. Para não dizer que não tem ação nenhuma, tem lá seus 10%, mas o bom certamente está nos 90%. Sério e cheio de diálogos, Leões e Cordeiros é bom, bem bom. Na pior das hipóteses é o tipo de filme que gera debate, que faz pensar. E isso sempre vale, mesmo que o tema seja batido. Deve entrar para a história também como o primeiro filme que não tem nenhuma cena do Tom Cruise correndo (antes que você fale Nascido em 4 de julho, onde ele é aleijado, lembra que antes dele tomar o tiro ele corre na chuva atrás da guria).

Leões e Cordeiros não é um filme sobre a Guerra no Iraque/Afeganistão. O confronto está lá, mas serve muito mais como pano de fundo, interligando as três histórias: os soldados perdidos em território inimigo, o senador que negocia matéria com a repórter e o professor que discute política com o aluno-promissor-perdido. O interessante é que todos esses lados levantam discussões boas e com bons argumentos. Até mesmo o senador republicano tem lá suas razões. Eu posso não concordar com elas, mas é ingenuidade achar que os americanos não mudaram completamente a visão de trocentas coisas depois do 11/9 e que o medo é sim hoje algo presente por lá. Da mesma forma como a jornalista que contesta todas as ações é também parte dessa engrenagem, já que a guerra é lucrativa não apenas para a indústria de armas como de certa forma também é para a do entretenimento, um caminho pelo qual o jornalismo tem perigosamente ido. Aliás, a melhor cena do filme é justamente quando a Meryl Streep se dá conta que ela tem participação efetiva no processo todo. E mais, não é nem algo que possa se justificar com um “não sabia que ia dar nisso”.

Talvez a discussão do professor Robert Redford com o aluno seja a mais batida delas. No fundo, nada mais é do que o idealismo contra o realismo. Mas isso não é uma boa notícia? Afinal, o dia que não existir mais o idealismo deu né…

Ah (eu sei, sempre tem um ah). Se o título original é Lions FOR Lambs, porque diabos a tradução é Leões E Cordeiros?

Whatever it takes

lambs.jpg

Trailer

Críticas

Operação França

Posted in Uncategorized on dezembro 6, 2007 by Carlos Corrêa

french.jpg

Dessa vez, vai ser bem curto pelo simples motivo que eu não vejo muito o que escrever sobre o filme. Talvez tenha sido porque vi com sono. Talvez porque tenha falado ao telefone em algumas partes. Ou talvez fosse a expectativa de que fosse um puta filme. O fato é que finalmente vi Operação França essa semana. E sorry, mas não achei nada demais. Não que tenha achado ruim, só não entendi por quais razões falam tão bem do filme. Não consegui entrar na história dos dois detetives que descobrem meio por acaso que alguns criminosos estão aprontando uma. Como a produção é de 1971, talvez tenha nele alguma inovação que me passa batido por eu ter visto muitos outros antes dele.

Ou tudo isso é uma bobagem e se o filme não fosse tão falado eu não estaria dando tantas desculpas por não ter gostado. Pode ter ganho Oscar de filme, diretor e ator. Não curti e pronto.

All right, Popeye´s here!

connection.jpg

Trailer

Críticas