Arquivo para janeiro, 2008

Eu Sou a Lenda

Posted in Uncategorized on janeiro 26, 2008 by Carlos Corrêa
legend2.jpg

Não tem receita melhor – e mais fácil – para ser surpreendido por um filme do que assistir a ele com o mínimo de informações possível. Ainda mais se o pouco que tu viu passa uma impressão e na hora tu chega e é outro. Mais ou menos como Eu Sou a Lenda. Pelo menos pra mim que tinha alguma idéia de que seria um filme de ação, já que custou uma babilônia, tem o Will Smith e uns monstros. Aí fiquei lá pelas tantas eu esperando pelos corre-corre, pela pauleira e nada disso vinha. E como não vinha eu comecei a gostar. Porque muito melhor que o o pau comendo (no sentido de briga, claro), é o suspense que o filme te entrega, ao menos na primeira metade, quando só tem ele e a cusca em cena. Li em algum lugar que estar sozinho no mundo é o pesadelo de qualquer pessoa. Ei, eu fora, acho que meus pesadelos são outros. Mas enfim, o Will Smith acha que é a última pessoa viva no mundo.
E o filme é melhor de fato enquanto só tem ele. O recurso de mostrar uma Nova York abandonada não chega a ser novidade – sem pensar muito, dá pra lembrar que já teve isso no Advogado do Diabo e no Vanilla Sky, fora a Londres de Extermínio -, mas nem por isso deixa de ser interessante, até porque aqui eles dão bastante ênfase a isso. Ver os cenários conhecidos agora sem ninguém a não ser uns veadinhos correndo é bacana, ainda mais se tu sabe que vai se preparando porque depois a coisa muda de figura. E quando escurece em Eu Sou a Lenda, muda mesmo. Mas o melhor, voltando lá no começo, é a tensão em saber o que vai ter pela frente. Muito melhor do que qualquer perseguição ou pega-pra-capar com os zumbis-ou-seja-lá-o-que-são-aqueles-bichos é a cena em que o ator entra num prédio abandonado para buscar a cusca. Quase sem música, quase sem iluminação a tensão vai crescendo de tal forma que a cena por si vale o filme, é disparado a melhor coisa. Até vale a xaropada de ver o Will Smith exibindo todo e qualquer músculo que ele possa ter. Depois, dá uma queda na história até porque não tem mesmo muito por onde ir, mas ainda assim o final tem lá suas surpresas boas.
Alguma dúvida de que a cachorra que acompanha o nosso herói é muito mais expressiva e interessante para a história do que a sobrinha da Sônia Braga que entra no final da história sem saber que foi o Bob Marley?
Ah, pra quem vier falar que Extermínio é melhor, que pelo menos diga qual filme, porque aquele é muito bacana até eles chegarem na tal casa, a partir dali vira outro filme. Chato, aliás.

God didn´t do this. We did.

legend.jpg

Trailer

Críticas

Anúncios

Todas as Cores do Amor

Posted in Uncategorized on janeiro 19, 2008 by Carlos Corrêa
goldfish3.jpg

Não fossem tantas as relações bi e homossexuais e Todas as Cores do Amor poderia muito bem ser um daqueles filmes leves e despreocupados da Sessão da Tarde. Ou talvez até pudesse de qualquer forma, não fosse a TV ainda tão preconceituosa. Tirando a pegação homem-mulher, mulher-mulher e homem-homem, fecha bem com esse perfil de produção engraçadinha para passar de tarde. Daqueles engraçadinhos, que são divertidos mas que não vão muito além disso.
Um dos pontos legais do filme é que justamente o que impede ele de ser um pouco mais profundo. Ao tratar todas as histórias com uma certa naturalidade, a diretora tira qualquer preconceito que poderia surgir em se tratando do tema. No entanto, fica complicado ser pouco mais do que superficial quando tenta se abordar umas cinco ou seis histórias em menos de uma hora e meia, ainda que elas se cruzem a todo momento. Pelo menos no pouco tempo que tem cada relação, ela é descrita com alguma verossimilhança. Com tantas tramas, fica difícil em algum momento não se identificar com algumas das reações dos personagens – e aí pouca diferença faz que eles sejam hetero, bi ou homo, já que aqueles sentimentos não são exclusivos à opção sexual de cada um. Tem o professor quarentão que aplica o mesmo papo em todas as guriazinhas, a louquinha ciumenta, a jornalista insegura e assim vai… Bacana também o fato de a produção inverter os papéis e uma reação criticada por um no início vai ser exatamente a que ele vai ter no final. Ou seja, se nem todo mundo é igual, no fundo é parecido.
Do ponto de vista técnico, algumas coisas poderiam aparecer menos. A começar pela obsessão da diretora em tacar planos inclinados. Na primeira vez é legal, na décima só enche o saco. E olha só, se ela diz logo no começo a história da memória do peixinho, não precisa mostrar o bichinho mais 1876342 vezes no filme para nos lembrar, como quem diz “hein? hein?”.
Por curiosidade, resolvi fazer as contas no final do filme. Nunca foi tão fácil as pessoas se darem bem em tão pouco tempo. Nenhum, digo NENHUM, personagem ficou com menos que duas pessoas, sendo que a grande maioria andou grudando três bocas. Ah, a trilha é bem boa também, não achou? Por último, na cruzada contra traduções imbecis de títulos, não dá pra deixar passar o fato que Goldfish Memory virou Todas as Cores do Amor.
Por último mesmo, mesmo com tantas gatas no filme (não tem uma feia), acho que fica claro que a mais-mais de todas é a Isolde (Fiona Glascott), a loirinha.

I don´t want to presume that you´re straight
goldfish.jpg

Trailer

Críticas

Across the Universe

Posted in Uncategorized on janeiro 1, 2008 by Carlos Corrêa
straw.jpg

Tão certo comoo especial do Roberto Carlos e o BBB é o fato de que todo ano vai aparecer alguma coisa nova sobre os Beatles. Pode ser mais uma das 500 músicas que estavam escondidas até agora, um novo box de DVD ou mesmo um álbum feito para tocar no circo. A verdade é que todo mundo vai se interessar pelo que for lançado pelo simples motivo que quase tudo relacionado à banda é bom. Foi assim com aquelas gravações da BBC há uns anos, foi assim com o Love ano passado (ops, já estamos em 2008, então é retrasado) e é assim agora com Across the Universe, o musical dirigido por Julie Taymor, que vale a pena ser visto e revisto várias vezes. Aliás, acho que qualquer filme que tenha All You Need is Love merece ser visto pelo menos uma vez.

Não faz muito tempo e outro filme já tinha ido pela linha referências e trilha dos Fab Four. Mas em I Am Sam (que aqui ganhou o brilhante título Uma Lição de Amor) era um ou outro personagem que tinha o nome emprestado das músicas (Rita, Lucy, Robert) e a trilha sonora era só trilha sonora. Aqui não, quase todos os personagems vêm das cabeças de John & Paul (Jude, Lucy, Prudence, Sadie, Jo Jo…) e a trilha faz parte do roteiro como qualquer outro diálogo – até porque, óbvio, é um musical. Como há algum tempo eu já perdi meu preconceito contra musicais, não demorou muito para eu começar a gostar deste Across the Universe. Na verdade, o filme me ganhou no I Want to Hold Your Hand. Confesso que até ali algumas das músicas eu tava achando meio R&B demais, como aquelas versões que qualquer cantora adolescente faz e toca dois meses direto na MTV. Mas dali pra frente a coisa flui fácil, fácil, no que a versão do Joe Cocker para Come Together só ajudou.

Se por um lado a trama principal não tem nada de novo – e todos os passos do romance são os conhecidos -, nosso amigo George Bush (calma, ele não tá no filme) trata de deixar a história atual, apesar de se passar há umas quatro décadas. É só trocar o Vietnã pelo Iraque que não ia fazer muita diferença. Não precisa muito para deixar a historinha dos protagonistas um tanto de lado e se interessar bem mais por todos os conflitos que acontecem à volta deles. Até porque talvez sejam neles as melhores cenas: os distúrbios por conta do racismo em Chicago com Let It Be, o alistamento forçado para a guerra com I Want You (She´s do Heavy) e a deprê da guerra em si com Strawberry Fields Forever. Em tempo, o I Am the Walrus viajandão é outra coisa muito do caralho.

É bem verdade que em algumas horas os atores, principalmente os protagonistas Jim Sturgess e Rachel Evan Wood deixam um pouco a desejar, mas depois a coisa volta aos trilhos e não chega a comprometer. É muito mais um problema de irregularidade do que ruindade. E justiça seja feita, eles não estragaram nenhuma das músicas dos Beatles, coisa que o Kiko Zambianchi não pode dizer o mesmo. Nem a Simone com o Happy Xmas do John Lennon. Sem falar que alguns dos atores têm uns nomes estranhos e bacanas como Martin Luther e T.V. Carpio.

Meus agradecimentos a quem tomou a sábia decisão de não mexer no título original dessa vez.

Da trilha eu não preciso nem falar, né?

All you need is love

across.jpg

Trailer

Críticas