Arquivo para fevereiro, 2008

Cloverfield

Posted in Uncategorized on fevereiro 26, 2008 by Carlos Corrêa

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Em cada dez matérias sobre Cloverfield pelo menos numas oito o autor em uma tentativa de facilitar as coisas para quem lê diz que o filme é uma mistura de A Bruxa de Blair e Godzilla. Ok, até vale. Mas então vale dizer que Mulher-Gato é como Superman e que 21 Gramas lembra Pulp Fiction. E a gente sabe que não, né? Para início de conversa porque A Bruxa de Blair não é bom e Godzilla nem precisa falar. Já Cloverfield é bom. Bem bom.
Mas certo… a semelhança na forma – e só na forma – com o filme da bruxa de fato existe. Assim como lá, tudo é visto sob o ponto de vista de uma câmera portáil, ou seja, de um dos personagens. Assim, o espectador vê e sente o mesmo que o personagem e, mais importante, não sabe nada além do que quem está na história sabe. De longe essa é a melhor sacada do filme. A reclamação mais comum das pessoas que não gostaram (ou ficaram com um pé atrás) com a produção é a de que ela não explica várias coisas. Na boa, se explicasse perderia toda sua coerência. Se o diretor tem a seu favor a confusão dos personagens (e do público) em entender o que diabos fazer quando um monstro aparece do nada e bota pra quebrar em Nova York, por que diabos ele vai perder essa carta na manga e entregar tudo de mão beijada. Mais, sabendo que o criador e produtor do filme é JJ Abrams, o cara por trás de Lost, o seriado com mais perguntas e menos respostas da história (e por isso tão bom até agora), quem vai ao cinema não pode definitivamente esperar tudo mastigadinho.
Outra semelhança com a Bruxa de Blair foi a campanha toda baseada na divulgação pela internet. Meses antes do filme já circulava um teaser com algumas cenas. Até então, não se sabia se era algo sobre terroristas, guerra ou mesmo, monstros – não ao acaso, algumas cenas lembram o 11/9. É óbvio que tanta ansiedade corria o risco de dar errado, já que cria expectativa demais (o que era a cena da cabeça da Estátua da Liberdade?). Mas o diretor Matt Reeves provou que soube beber da fonte certa. Nada de cenas fechadas no monstro ou mostrar a criatura logo de cara. O negócio é ir criando o clima pra só na hora certa jogar no colo do espectador. Exatamente como Tubarão, de Mestre Spielberg. Muito bem, Mr. Reeves. Vê se não vacila e cai na tentação de fazer uma seqüência.

Vou fazer de conta que no Brasil o filme não se chama Cloverfield – Monstro.

Oh my God! What is that?

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Críticas

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Número 23

Posted in Uncategorized on fevereiro 24, 2008 by Carlos Corrêa

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O básico de um filme, seja ele um documentário iraniano sobre a guerra em sei-lá-onde ou um blockbuster sobre a invasão da Terra por alienígenas com cabeças de formiga, é que quem esteja vendo acredite na história. Se não existe credibilidade, não existe o mínimo de identificação e aí a coisa foi pro saco. Isso para qualquer filme. E o básico para um filme de suspense é que ele – surpresa – mantenha o suspense. Pode até não ter uma surpresa bombástica no final, mas tem que segurar a onda.
Pois a porqueira chamada Número 23 não dá nem para a largada. Em nenhum, nenhunzinho, momento dá para acreditar na história. E pior, dá para sacar qual será a “surpresa” ainda no primeiro ato. O que é uma tragédia ainda maior do que não manter o suspense, já que ele falha em tudo o que tinha que acertar e também no que nem precisava estar lá.
Não sou do time que vira a cara para os filmes do Jim Carrey, pelo contrário. O Show de Truman e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças são dois dos melhores filmes feitos ultimamente. E até comédias tipo O Máscara e Débi & Lóide passam. Mas sorry Jim, dessa vez tu entrou numa barca furada. A história tenta passar a idéia de que tudo ligado ao 23 é maldito. Aí misturam numerologia com a simples contagem de letras das palavras. Critério é para os fracos. A soma das letras de um ditador maldoso dá 23. A de outro não dá, mas aí o número da carteira de trabalho do amigo do vizinho dele também dá 23. Ah, beleza. Ops, esqueci, “nossa, que medo!”. Topsy Kreets?!?!?! Hein??!?! O cara viu (ou leu) Coração Satânico, gostou do Louis Cypher e quis imitar ou é impressão?
Na verdade, é tão previsível quanto o ultimamente a carreira do seu diretor. Houve um tempo em que Joel Schumacher fazia coisas interessantes. São dele Garotos Perdidos, Tempo de Matar e o O Cliente. Infelizmente, no entanto, ele vai ser lembrado como o cara que destruiu o que o Tim Burton vinha fazendo com os Batman. Se os dois primeiros eram sombrios, veio ele e transformou a série numa bichice tamanha que lá pelas tantas a armadura do herói tinha mamilos e o Batmóvel parecia desenhado pelo Joãosinho Trinta.
Em tempo: “Número 23 é ruim para cacete” tem 23 letras.

Twenty fucking three!
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The Doors

Posted in Uncategorized on fevereiro 21, 2008 by Carlos Corrêa

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Salvo gênios como os Beatles e algumas outras exceções, o rock entre a segunda metade dos anos 60 e anos 70 é um saco. Sim, isso inclui todos os ditos clássicos e seus intermináveis solos. Ou alguém vai defender o rock progressivo? Até pagode ou axé são mais interessantes, já que as bandas de teclado não tinham sequer a vantagem de contar com umas gostosas rebolando para cá e para lá. Pois bem, nesse amontoado de coisas que quase todo mundo adora e eu não vejo muita razão, estava The Doors. Sim, me matem, mas eu nunca vi nada demais nos Doors. E sim, achava Light my Fire bem mais ou menos. Curtia The End e era isso.
Mas eu sou bem influenciável, é verdade. Confesso que da primeira vez que vi o filme The Doors lembrava pouca coisa. Mais precisamente que a fotografia era toda alaranjada, da capa da Set da época misturando o rosto do Val Kilmer e do Jim Morrison e que lá pelas tantas no filme aparecia um peito da Meg Ryan. É, só um dos dois.
Enfim, revi The Doors esses dias e confesso, o filme é bem mais que os peitos, ou melhor, o peito da Meg Ryan. Mas tive a certeza do quanto a fotografia conta para tudo funcionar. É impossível não ver tudo e lá pelas tantas ter a impressão de que se está meio chapado. Fico só pensando no que deve o filme para um cara que tomou algo como LSD antes. Se normalzinho já é uma viagem, imagina sem. A bem da verdade, The Doors não é um filme sobre a banda. Não seria exagero algum se a produção se chamasse Jim Morrison. O filme é dele e para ele, tanto que não deve ter uma fala ao acaso. Morrison nunca deve ter falado uma bobagem, foi sempre um poeta. Aham. E ou o espírito do cara baixou no Val Kilmer ou talvez essa seja a melhor interpretação dele.
No final das contas, até saí curtindo The Doors. Mas vai ser preciso um filme bem melhor pra me fazer gostar de Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Janis Joplin e essas outras coisas aí…

Girl, we couldn´t get much higher
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Críticas

As Torres Gêmeas

Posted in Uncategorized on fevereiro 16, 2008 by Carlos Corrêa

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    Talvez por ter sido o maior acontecimento desde o Gre-Nal do Século, o 11 de Setembro é um dos assuntos que me fascina até hoje. Impossível dizer que se viu todos os programas sobre o tema tamanho o volume desses nas TVs a cabo. Mas vi sim um bom punhado. Nenhum, claro, chega aos pés do belo documentário 11/9, que tem o impressionante registro do interior de uma das torres enquanto a outra cai. De qualquer forma, tocou no assunto já valeu para chamar a minha atenção, portanto eu até que demorei para ver As Torres Gêmeas. Talvez em função de ouvir de quase todo mundo que via que não valia a pena, que era um dramalhão e, pior, que tinha o Nicolas Cage.
Aí dia desses tava dando de noite na TV e não custava nada ver qual é. Por mosquice minha, não me liguei que naquele horário só teria a versão dublada, mas como já tava deitado para ver, vamos com essa mesmo. Começa e não demora muito para vir o Nicolas Cage com a mesma cara de Nicolas Cage de sempre. O lado sádico dizia que ao menos eu veria um prédio cair em cima dele dessa vez. O fato é que dessa vez o cara nem chegou a ser um problema porque As Torres Gêmeas é bem honesto. A guria que não é tão bonita assim, mas é querida, sabe? Não há dúvida de que o melhor está na primeira metade do filme, a parte em que antecede os ataques e dali até tudo desabar. A tensão que toma conta das cenas em que eles estão dentro da torre, mas completamente desorientados sobre o que fazer é muito bem conduzida pelo Oliver Stone. O susto que cada um dos policiais tinha cada vez que vinha aquele estrondo é ainda mais assustador a partir do momento em que eles não sabem o que diabos está caindo lá de cima, mas a gente lembra muito bem que eram pessoas se atirando.
De fato, depois que o Cage e o outro soldado ficam preso nos destroços o filme cai lindamente e tem horas que vira um dramalhão meio chato mesmo. Mas aí ao menos temos um senhor motivo para continuar assistindo ao filme: Maria Bello. Ê mulher mais bonita e charmosa essa. E de quebra, ainda é boa atriz. Ao mudar o foco em parte para a expectativa das famílias dos soterrados, o diretor acerta a mão ao mostrar o nervosismo de quem sabe que as chances de alguém estar vivo debaixo de 100 e tantos andares não é lá muito grande. Mas se era para fazer, que fizesse bem feito e mostrasse também as famílias do que não agüentaram mesmo. Senão parece que todo mundo se livrou. E quase ninguém se livrou.
Ah, também não entendi muito bem aquele cara que diz que é da Marinha e consegue passar a maior barreira policial de todos os tempos só dizendo “sou da marinha”. Fora que ele tem cara de louco e se aparecesse para me salvar, pensaria duas vezes.
Ah 2. Para ser justo. Esse é o caso em que faz sentido eles mudarem o título original. No Brasil, se entende muito melhor As Torres Gêmeas do que World Trade Center.

We prepared for everything. Not for this.

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Críticas

O Gângster

Posted in Uncategorized on fevereiro 14, 2008 by Carlos Corrêa

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    Filme de máfia é geralmente bom ou as pessoas tendem a ver menos filmes de máfia e, conseqüentemente, terminam vendo só os bons? Não vou ficar nem nos casos mais conhecidos como a trilogia d´O Poderoso Chefão e os do Martin Scorsese, incluindo o melhor de todos sobre o tema, Os Bons Companheiros. Para ficar num exemplo bem recente e do mesmo diretor, basta lembrar d´Os Inflitrados. Agora, da mesma forma como esse citado não tratava das tradicionais famílias italianas (eram os irlandeses), agora vem o Ridley Scott e larga O Gângster.
Eu não chego a ter implicância com o diretor, mas digamos que uma certa desconfiança. Eu sei, ele fez coisas geniais como Blade Runner e Alien – O Oitavo Passageiro. Mas ele também fez grandes bostas como Gladiador e, principalmente, Falcão Negro em Perigo. E não custa lembrar que a dupla de ruins é bem, mas beeeeem mais recente que a de bons. Pois O Gângster volta a dar crédito para o cara. Só o fato de tratar a máfia por um lado nunca (ou quase nunca) explorado já vale pontos. Ou alguém lembra de algum filme de mafiosos negros? Pois aqui ele conta a história de um que dominou o mercado de drogas de NY nos anos 70, deixando para trás italianos, irlandeses e quem mais viesse.
O mais bacana no filme é que ele tem um estilo próprio. Ridley Scott faz um filme de máfia que não lembra nem Scorsese, nem Coppola, nem qualquer outro. Melhor, foge dos clichês do gênero. É interessante ver um exemplar do gênero que não tenha o carro explodido matando a mulher do bandido (se bem que aqui não tem muito a distinção do mocinho/vilão) ou o capanga dedo-duro-traidor. Com um elenco bom demais – não são apenas os protagonistas Denzel Washington e Russell Crowe que estão bem, mas também todo o resto, principalmente a mãe do chefão (Ruby Dee) e o policial corrupto (Josh Brolin) -, ele não desperdiça uma cena, uma tomada que seja. Aproveita os 157 minutos para construir uma obra homogênea. Aliás, têm duas cenas que por si só valeriam as mais de duas horas de produção. A primeira é do Denzel Washington encontrando um “concorrente” na rua e deixando claro quem é o dono do campinho. A segunda é a mãe dele deixando claro quem é a dona do campinho em casa.

P.s.: A matéria que inspirou o filme pode ser lida aqui, no link que tem lá no Cinema em Cena.

My man

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Um Tira da Pesada

Posted in Uncategorized on fevereiro 13, 2008 by Carlos Corrêa
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Talvez quem tenha de 25 anos para baixo não saiba, mas sim, o Eddie Murphy um dia já foi legal. Principalmente antes de ele achar inteligente interpretar quase todos os personagens dos filmes que passou a fazer. Sim, houve um tempo em que o Eddie Murphy tinha um papel só e era até engraçado. Mais ou menos nessa época ele fez o 48 Horas, com o Nick Nolte, mas nada no entanto supera a série Um Tira da Pesada. Ok, os dois primeiros, porque depois a coisa desandou. Mas enfim, enquanto durou, Axel Foley era diversão garantida.
Como boa parte dos filmes dos anos 80, se tu sentar para ver hoje em dia vai chegar à conclusão que nunca viu inteiro, e sim apenas pedaços diferentes nas trocentas Sessão da Tarde e Tela Quente. Eu, definitivamente, nunca tinha visto Um Tira da Pesada inteiro. Acostumado a assistir produções hoje em dia que se preocupam em surpresa atrás de surpresa, é até reconfortante ver uma história direta como a do policial que só quer saber quem apagou o amigo dele. Simples. Não têm conspirações, segredos, mistérios. Logo de cara tu sabe quem é o vilão, quem é o mocinho e quem são os outros que estão ali só para fazer escada para o Eddie Murphy. E claro, espaço para a cena das bananas no cano de descarga.
Talvez tão marcante quanto o filme e as risadas do Axel Foley sejam as músicas do filme. Ou melhor, A música, já que o tema do personagem toca a cada dois minutos, o que poderia ser irritante, mas é divertido. E sim, essa música é de 1984 para quem ouviu há dois anos ela se espalhar como toque de celular e uma versão chamada Crazy Frog. De quebra, tem The Heat Is On no começo, o que poderia ser mais divertido se o produtor Jerry Bruckheimer (então parceiro do já finado Don Simpson) não começasse a mostrar os exageros de sempre, em uma cena que é de um exagero tal de batidas de carro que só não é insuportável porque tu ri do quanto a música está deslocada. O problema é que atualmente ele continua produzindo filmes com as mesmas cenas e com músicas ruins.

This is the cleanest and nicest police car I’ve ever been in my life

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A Maldição da Flor Dourada

Posted in Uncategorized on fevereiro 11, 2008 by Carlos Corrêa

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    O trailer era empolgante. Da mesma forma que era em Herói e O Clã das Adagas Voadoras, só que enquanto o segundo é muito bom, o primeiro é meio xarope. Visualmente mais bonito, mas mais chato. De qualquer forma, era preciso ver A Maldição da Flor Dourada nem que fosse para pelo menos fazer o desempate nos filmes mais recentes do diretor Zhang Yimou. E se é para continuar na mesma analogia, digamos que nesse último o chinês voltou a jogar bem, mas a vitória não foi daquelas de ir para a Goethe depois.
Fica de bom tamanho afirmar que A Maldição da Flor Dourada fica no meio do caminho dos dois antecessores. Tanto no resultado final como na mescla dos temas. Não é tão bom como o Clã, mas é disparado melhor que Herói. Desse, busca a trama política com conchavos, traições e vá lá, algumas surpresas. Do Clã, a parte mais romanceada. A bem da verdade a mistura das duas acaba resultando em uma história tipicamente shakespereana, só que centrada na China. É só ver, os elementos estão todos lá: a busca pelo poder, as intrigas familiares, as tragédias e por aí vai.
Algumas coisas que supostamente eram para ser surpresas não são. Não vou contar nada aqui, até porque odeio spoiler, mas têm coisas que não precisa ter mais que dois neurônios para sacar uma meia hora antes de serem “reveladas”. Só que não adianta, o aspecto visual do filme vale qualquer coisa. Como de costume, aliás, em se tratando dos filmes do Zhang Yimou. O jogo de cores é sempre sensacional, aqui obviamente puxando mais para o dourado do título mas botando junto outras duas mil cores. Lembro que o Herói e mesmo O Clã tinham cenas em que eram praticamente monocromáticas. Aqui, fora uma ou outra, é diferente. Algo meio tudo-junto-ao-mesmo-tempo. Não à toa, o filme tem o título de ter sido o maior set já construído para uma produção da China.
E sim, não fossem as cenas visualmente perfeitas, a Gong Li valeria o filme.

What I do not give, you must never take by force

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