Arquivo para fevereiro, 2009

Quem Quer Ser um Milionário?

Posted in Uncategorized on fevereiro 28, 2009 by Carlos Corrêa

sm

It´s written

# Não sei se pelas cenas de pobreza ou pelo estilo frenético de filmar, mas o começo do filme, quando o Jamal ainda é gurizinho, me lembrou bastante o Cidade de Deus. Só em termos de estilo, claro.

# Oito estatuetas douradas na prateleira chamam a atenção como nunca. Alguns dos prêmios são incontestáveis – fotografia, edição e direção ainda mais -, e é claro que tantos prêmios indicam qualidade. O que é sempre complicado fazer em cima da premiação são comparações, pelo simples fato de que os concorrentes são diferentes a cada ano. Lembram do LA Confidential? É muito mais filme, mas deu o azar de ser lançado no mesmo ano do Titanic. Foi patrolado. Ou seja, Quem Quer Ser um Milionário é sem dúvida um bom filme, mas tenho lá minhas dúvidas se pode ser considerado um filmaço. É um romance querido muito bem feito. Fosse outro ano e talvez os oito prêmios sumissem.

# O que é essa Freida Pinto? Linda demais. Podia só ter um nomezinho menos pronto pra piadas, né? Bom, nosso amigo Woody Allen que não é bobo bem nada já acertou com ela para um próximo filme.

# Vejo muitos elogios para o elenco infantil do filme, mas na real para mim ninguém tem uma interpretação melhor do que Anil Kapoor, que vive o apresentador do programa. Ah, também achei o carinha que faz o Salim adulto (Mahesh Manjrekar) a cara do Assis, irmão do Ronaldinho.

# O Danny Boyle tem alguma fixação com, desculpa o termo mas, merda? No Trainspotting o Ewan McGregor nadava na merda atrás de um supositório. Aqui, o Jamal criancinha mergulha num mar de bosta para ver um ator. Que merda!

# Merdas à parte, o Danny Boyle é bom mesmo. Vamos até esquecer que ele fez recentemente aquele Sunshine, muito do ruim. Vamos lembrar que é o mesmo cara que já nos deu Cova Rasa, os subestimados A Praia e Por uma Vida Menos Ordinária e, principalmente, Trainspotting.

# Não é uma crítica ao filme, até porque para o contexto da história não havia outra alternativa. Só não dá para achar que a Índia é toda ela daquele jeito. Seria a mesma coisa que considerar real a visão do Brasil feita por aquele filme de terror Turistas. A menos que alguém acredite mesmo que toda a Índia é um imenso favelão e que pivetes querem nos roubar o tempo todo. Vamos manter a coerência, se reclamamos que o Brasil é visto de forma estereotipada lá fora, não vamos ver os outros assim.

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Quem Quer Ser um Milionário? (2008) ***

Rebobine, Por Favor

Posted in Uncategorized on fevereiro 25, 2009 by Carlos Corrêa

be-kind

I’m Bill Murray, you’re everybody else

# Ninguém mandou fazer uma obra-prima como Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. Agora, sempre que fizer um filme novo, Michel Gondry tem contra si a velha questão da expectativa. Por mais que se tente ir “neutro” pro cinema, não adianta, a gente espera algo acima da média. E infelizmente, Rebobine, Por Favor não tem nada de especial. Um bom mote, algumas piadas ótimas, uma crítica inteligente à questão da pirataria… mas… nem sombra de genialidade.

# Talvez o principal problema do filme seja justamente a idéia dele. A questão de refilmar os filmes de modo tosco é boa e funciona bastante no primeiro. No segundo nem tanto, no terceiro menos… e meia hora depois foi pro saco. Só dá uma recuperada quando eles fazem um filme por conta. E outra, é como ironia, precisa de entendimento do outro lado para funcionar. E nem todo mundo viu os filmes depois “suecados”.

# Apesar de muitas caras e bocas, Jack Black é engraçado pacas. É mais um ator que caminha talvez sem volta para fazer o mesmo personagem sempre. Por enquanto ainda tem graça. A cena dos “negativos” é ótima.

rewind

Rebobine, Por Favor ( 2008 ) ***

Milk

Posted in Uncategorized on fevereiro 24, 2009 by Carlos Corrêa

sean

My name is Harvey Milk and I’m here to recruit you!

# Fosse outro elenco e Milk teria grandes chances de ser um filme bom, mas daqueles que pouco tempo depois são esquecidos. Capitaneados pela atuação impressionante do Sean Penn, os atores é que fazem a diferença aqui. Se formos analisar friamente, Milk tem todos os elementos e a mesma narrativa de qualquer outro filme que trate de um personagem engajado na luta de causas sociais. Varia só a causa: aqui são os gays, mas poderia ser alguma classe trabalhadora específica, as mulheres pré-feminismo, os negros, enfim. Na verdade, é difícil fugir dos clichês neste tipo de filme, já geralmente só dois finais possíveis: ou o personagem atinge a glória e consegue todos os avanços ou morre, mas dá impulso ainda maior para a luta. Invariavelmente, os últimos segundos da produção são dedicados a algum texto, explicando o que aconteceu dali por diante. Milk não é diferente. É bom? É, mas tu já viu antes.

# É espantosa a atuação do Sean Penn. Realmente impressionante o quando ele consegue dar credibilidade a personagens tão diferentes quanto um líder homossexual aqui, um brutamonte em Sobre Meninos e Lobos e um pai quase retardado naquele I Am Sam. Partindo do princípio que o Robert De Niro se acomdou fazendo o mesmo personagem sempre de uns tempos para cá, é difícil lembrar de outro ator tão fodalhão quanto ele no nomento. Em Milk, ele está perfeito. Afetado até o limite, o gestual perfeito, o tom de voz, as expressões, tudo. O melhor do filme é que se o resto do elenco não está tão perfeito quanto, está muito bem também. O indicado para o oscar de coadjuvante foi o Josh Brolin, mas o que mais me chamou a atenção, talvez por não acreditar que pudesse fazer algo que prestasse, foi o James Franco. Outra boa surpresa foi o Emile “Show de Vizinha” Hirsch (se bem que quem viu Alpha Dog já sabia que ele era bom).

# No final do filme, aparecem as fotinhos (assim como os destinos) dos principais personagens. Tentei achar algumas coisas no You Tube sobre o verdadeiro Harvey Milk. Tudo que consegui foram videos como esse citado ao longo de todo o filme, esse do discurso sobre esperança e esse da imbecil, direitosa e mais alguns adjetivos ruins da tal Anita Bryant tomando uma torta nas fuça.

# Não vamos nos enganar. A história do filme se passa nos anos 70, mais precisamente até 1978. Ou seja, 30 anos já passaram. E por mais que algumas coisas tenham mudado pra melhor, seria ilusão acreditar que os homossexuais (assim como os negros e as mulheres) conquistaram direitos iguais. O preconceito continua pegando e a coisa não é pouca. Ainda existem muitos patetas por aí que com o discursinho de “família” segue tentando fazer com que todo mundo pense do mesmo jeito que eles. Hipocrisia, para não dizer coisa pior.

milk

Milk ( 2008 ) ***

Quase Famosos

Posted in Uncategorized on fevereiro 24, 2009 by Carlos Corrêa

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I am a golden god!

# Virei suspeito para falar de Quase Famosos, já que cada vez que vejo gosto mais. E olha que eu não sou dos maiores fãs das bandas de rock dos anos 70. Ainda que, se for analisar friamente, Quase Famosos não é, como filme, rock. Tá muito mais para pop. Ou então é o melhor filme ingênuo sobre rock já feito. Ou talvez só mostre que a noção que a gente tem/tinha de estrelato das bandas não equivale nem à metade da verdade.

# Cameron Crowe tem crédito de sobra. Senão vejamos o currículo: Jerry Maguire, Quase Famosos e Vanilla Sky. Isso dos ótimos. Porque Elizabethtown também dá pra ver sem maiores problemas.

# É, Oscar não é padrão de qualidade, a gente sabe. Mas não custa lembrar que nesse ano, em que Quase Famosos não foi indicado, concorreram ao prêmio coisas como Erin Brockovich e Chocolate. Isso pra não dizer a merda que ganhou: Gladiador.

# Alguém que vê o filme consegue a façanha de não desejar a Penny Lane O TEMPO TODO? Quando a Kate Hudson sorri nesse filme, é como se ela pudesse pedir quase que tudo, que faríamos. Que fique claro, quase. E pensar que o papel seria da insossa Sarah Polley.

# Apesar de escritas pelo chatonildo Peter Frampton – “Oohh baby, I love your way, everyday yeah yeah” -, as músicas do Stillwater no filme até que são bem boas. Vai ver por contar com o guitarrista do Pearl Jam, Mike McCready. A melhor é Fever Dog, como tu pode ver aqui. Mas não deixa de ser engraçado que num filme “rock”, o momento musical mais lembrado seja a cena do ônibus, ao som de… Elton John!!!

# Podem me mostrar 500 filmes que não mudo de opinião. Gosto do Billy Crudup, mas ele tem a mesma coisa da Jenniffer Connelly e do James Caviezel. Todos têm sempre uma cara de triste. Tu não consegue imaginar um momento de felicidade deles nunca. Ou quando rola, é porque tu sabe que a merda que vem em seguida é grande.

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Quase Famosos (2000) *****

Matrix

Posted in Uncategorized on fevereiro 23, 2009 by Carlos Corrêa

matr

There is no spoon

E lá se vão quase dez anos desde o lançamento de Matrix. É, o tempo passa rápido, paciência meu filho. É muito provável que na área da ficção científica nesse meio tempo tenha surgido muita coisa melhor – o Star Wars III, para não ir longe -, mas a verdade é que Matrix segue como a última produção realmente inovadora nessa década. Maior prova disso é o quanto a produção dos irmãos Wachowski foi citada e/ou copiada de lá para cá, seja no visual cult seja nas famosas cenas em que as câmeras proporcionam um ângulo de 360º. Aliás, como já passaram dez anos, talvez a gente já esteja acostumado, mas em 1999 era de cair o queixo aquilo ali. E Matrix não poupa tempo, larga uma cena dessas logo de cara que é para mostrar a que veio. S pode reclamar de muita coisa no filme, principalmente em termos de história e roteiro com suas pseudo-filosofias, menos de ação. As cenas são realmente de tirar o fôlego, com destaque para a hora em que o Neo e a Trinity invadem o prédio atrás do negão.
Dito isso e reconhecidas as qualidades do filme – e eu esqueci de lembrar que toca Prodigy! -, vamos combinar: Matrix é um dos filmes mais superestimados desses últimos tempos. Para os fãs parece que não basta considerar a produção muito boa, ela tem que ser colocada num mesmo patamar de clássicos da ficção como Blade Runner, Star Wars ou Alien. E sorry, não é. Poderia citar trocentos motivos, mas vamos ficar num só? Keanu Reeves. Há horas em que é complicado criticar o rapaz, porque ele é realmente muito sortudo, ele está em vários sucessos incontestáveis – e filmes bons – como Velocidade Máxima e O Advogado do Diabo. Mas pô, ele é ruim! Bem ruim! A (falta) de expressão dele é constrangedora. Não bastando isso, ainda colocam ele no Matrix a fazer umas poses kung-fu. Vai ser nerd lá longe pra achar isso um clássico.

Sobre os irmãos diretores eu não preciso fazer crítica nenhuma. Acho que Matrix Reloaded e Matrix Revolutions encarregam-se disso…

matrix

Matrix (1999) ****

Vicky Cristina Barcelona

Posted in Uncategorized on fevereiro 23, 2009 by Carlos Corrêa

vicky

Only unfulfilled love can be romantic

Qualquer que fosse o filme em que há uma cena na qual a Scarlett Johansson – veja bem, Scarlett Johansson – gruda a Penelope Cruz – veja bem, Penelope Cruz – já valeria ser visto. Quando esse mesmo filme tem direção e roteiro assinados pelo Woody Allen torna-se mais do que obrigatório. Mas nem precisava, Vicky Cristina Barcelona é ótimo por esses motivos e por todos os demais possíveis. Não há uma atuação ruim aqui – o Oscar da Penelope parece justo e na real os outros também mereciam indicações ao menos e sim, a piorzinha de todas é a da Scarlettinha -, ainda que o Javier Bardem me pareça cada vez mais o Antonio Banderas da vez (justiça seja feita, ele é muito mais ator do que o Banderas). Os cenários são todos muito bonitos e talvez “para cima”, o que ajuda no clima de o filme parecer tão despreocupado e alto astral. Aliás, apesar de toda a estética do filme funcionar e a Espanha estar lindamente retratada – Almodóvar who? – e da música ser das mais interessantes, meio que tá na hora do Woody Allen largar a Europa e voltar a filmar em NY. Vai que rola outra obra-prima como um Manhattan de novo.
Por fim, eu achei que eu nunca fosse dizer isso em qualquer filme com Scarlettinha. Mas o tempo todo eu não conseguia tirar os olhos era da morena, a Rebecca Hall. Minha nossa, o que é aquilo? Aqueles olhos, aquela boca, aquele jeito. Temos uma nova musa. Thank you, Mr. Allen.

barca

Vicky Cristina Barcelona ( 2008 ) ****

O Leitor

Posted in Uncategorized on fevereiro 17, 2009 by Carlos Corrêa

reader

It doesn’t matter what I think. It doesn’t matter what I feel.

The dead are still dead

Que bom seria se a cota de filmes ligados à II Guerra fosse de no máximo uns cinco por ano, o suficiente para que um deles seja muito bom. Esse ano, no caso ainda 2008, O Leitor basta. Não precisa outro. Como muito bem escreveu o Carlos André ano passado, vamos lá gente, temos guerras novas.
O Leitor é bom porque dele podem surgir várias discussões boas. Não é difícil sacar que ele acaba sendo bem mais complexo do que parece, muito pelo fato de não exercer julgamentos decisivos sobre ninguém. Os elementos estão todos lá, então sintam-se livres para acharem o que quiser.  E bom (ou ruim?) é que nenhuma das questões que ele levanta é fácil. À primeira vista não tem muito o que defender no personagem da Kate Winslet, uma ex-guarda da SS que trabalhava em Auschwitz. O problema é que – e talvez seja a melhor cena do filme a do seminário em que os alunos discutem de quem é a culpa – a questão é maior que essa. Ela sabia que estava escolhendo pessoas para morrer? Sim. Mas era só ela? Ou um país inteiro não sabia o que estava acontecendo naquele momento? São culpados por causa disso? Nem tentem uma resposta objetiva… E o guri/Ralph Fiennes? Ao se dar conta de que ela estava pagando um pato sozinha que não era dela e não fazer nada para impedir isso, também não tem culpa no cartório? Qual é a relação dele a partir disso? Amor? Culpa? Isso que é o melhor do filme, tu sai com muito mais interrogações do que pontos finais. Pena que infelizmente nem sempre se pode levantar algumas dessas questões, uma vez que qualquer questionamento que envolva judeus é encarado como anti-semitismo, e o recente conflito Israel-Palestina deixa claro isso.

Momento homenzinho: a Kate Winslet ainda dá um caldo legal, hein?

leitor

O Leitor ( 2008 ) ****