Arquivo de setembro, 2009

O Escafandro e a Borboleta

Posted in Uncategorized on setembro 30, 2009 by Carlos Corrêa

borboleta

Autre que mon oeil, deux choses ne sont pas paralysées,

mon imagination et ma mémoire

# Como não descambar para o dramalhão em uma produção na qual o protagonista só consegue se comunicar com o mundo piscando com um olho? Larga isso na mão do idiota aquele que fez Marley e Eu e ele dá um jeito de colocar os filhos pequenos do cara chorando na primeira cena. Larga na mão do Michael Bay e ele faz o cara explodir caminhões com um controle remoto. Mas larga na mão do diretor Julian Schnabel e ele faz um belo filme. Dramático na medida certa, sem aquela necessidade de a cada cena gritar que está filmando uma história (real) de superação. Deixa que a história por si só emocione, não precisa forçar a barra. No final das contas, acima de tudo, O Escafandro e a Borboleta é um filme bonito.

# Nenhuma narração, nenhuma lembrança, nenhuma ideia mirabolante. Quando você assiste à primeira metade do filme na perspectiva do protagonista, um ex-editor da Elle francesa, com a visão prejudicada, mal enquadrada e sem foco, tu tem a certeza absoluta de que qualquer outra alternativa ficaria pior para deixar clara a mudança que um derrame fez na vida do personagem.

# Sim, você já viu Mathieu Amalric antes. O ator que faz o personagem Jean Dominique Bauby foi o vilão no 007 mais recente, o Quantum of Solace, e também dava as caras em Munique, do Spielberg.

# Para que se tenha uma ideia da obstinação do diretor em fazer o filme da melhor forma. Americano, aprendeu francês o máximo que pôde e não abriu mão de que o roteiro fosse em francês para aproximar o filme da história real. Foi além, fez questão de filmar nos mesmos lugares em que Bauby esteve, como o hospital e a praia.

# O livro que Bauby “escreveu” e que deu origem ao filme pode ser achado aqui.

escafandro

O Escafandro e a Borboleta (2007) ****

Pecados Íntimos

Posted in Uncategorized on setembro 24, 2009 by Carlos Corrêa

little

We’re all miracles. Know why? Because as humans, every day we go about our business, and all that time we know… we all know… that the things we love…the people we love, at any time now can all be taken away. We live knowing that and we keep going anyway. Animals don’t do that.

# Em poucos filmes a expressão “tensão sexual” cabe tão bem quanto nesse Pecados Íntimos. Da mesma forma que fica evidente que vai rolar algo entre o casal de protagonistas, fica na cara que vai dar merda.

# Tem um lance meio curioso no filme. O tempo todo ele é narrado por alguém que dá uma entonação quase de fábula para a história. A questão é: tem uma moral da história? Por mais que o final seja, de certa forma, conservador (já que tudo fica como estava, ao menos nas aparências), não é um filme que dê para rotular de conservador. No fundo, o final é o de menos, já que interessa mesmo são os questionamentos que ele vai levantando pelo caminho. Se quem está do lado de cá da tela parou pra pensar, já valeu a pena.

# Ele parece parente do Daniel Day Lewis, mas não tem nada a ver. Jackie Earle Haley, que não filmava há 13 anos, ganha o filme pra si toda vez que entra em cena. A sequência final é tão chocante quanto triste e ele consegue captar esses dois lados de forma perfeita. Até rolou uma indicação pro Oscar, mas perdeu pro vô malucão do Alan Arkin na Pequena Miss Sunshine. Na real, pelo papel do pedófilo ele recebeu nove indicações e voltou pra casa com sete delas, incluindo aí NY e Chicago Film Critics.

# Eu já devo ter dito isso antes, mas enquanto ela não sorrir, sigo repetindo em todo filme da Jennifer Connelly. O que ela tem de linda e maravilhosa, tem de triste. Ela tá SEMPRE com uma cara de puta merda. Ok, ela pode.

# Longe de ser uma crítica, mas assim, loooooonge: a Kate Winslet não paga imposto pra tirar a roupa no cinema, hein?

# No filme não existe nada, mas no livro que originou a adaptação, o marido da Kate Winslet vai pra California encontrar a famosa e acima de tudo comportada Slutty Kay.

pecados

Pecados Íntimos (2007) ****

In His Life: A História de John Lennon

Posted in Uncategorized on setembro 23, 2009 by Carlos Corrêa

his lif

Nothing is gonna stop us now, lads.

# Fora os filmes com os próprios tipo Yellow Submarine e A Hard Day´s Night e depois aquele Backbeat (que era muito mais focado no Stu), não lembro assim de cabeça nenhum filme sobre os Beatles, fora documentários. Pra mim era o Backbeat e pronto. Aí ano passado fui pra Liverpool e fazendo a Magical Mistery Tour (com direito a bus pintado e tudo mais), o guia fala que o melhor filme sobre a banda tinha sido feito por lá mesmo, com pessoal de lá e se chamava In His Life. Obviamente não achava o tal filme em lugar nenhum, nem mesmo para baixar. Até que, surpresa, num domingo desses passou na VH1. E não é que o guia tinha razão?

# In His Life não é exatamente um filme sobre os Beatles, é sobre o John Lennon. Mas não tem muito como separar uma coisa da outra. Também não cobre toda a carreira dos Fab 4, o filme termina quando eles estão indo pros EUA.

# Por que In His Life é tão bacana? Primeiro porque não faz do John Lennon um super herói ou mesmo um cara bonzinho e fodão. Na verdade, tem horas que tu acha ele um grande dum FDP, mas não custa lembrar que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Era gênio e ponto. Assim como Paul também era. Segundo, porque o elenco é fodido. Dependendo do ângulo da cena, os atores são iguais, principalmente John e Paul e, mais tarde, o Ringo. O Brian Epstein também é muito parecido. O George é quem mais fica devendo e, pelo filme, passa a impressão de ser um tanso.

# Philip McQuillan Phoenix nasceu na irlanda quando os Beatles já tinham terminado há uns bons anos. A interpretação dele do John Lennon algumas vezes é forçada, como se ele quisesse mostrar demais alguma coisa quando não precisa. Mas aí tu fecha os olhos e só escuta o personagem. O guri fala IGUAL ao Lennon. Não é parecido, é IGUAL. E aí não tem como não tirar o chapéu.

# A trilha… bem, não preciso falar da trilha do filme, não é verdade?

his life

In His Life: A História de John Lennon (2000) ****

Dias Incríveis

Posted in Uncategorized on setembro 23, 2009 by Carlos Corrêa

school

You think I like avoiding my wife and kids to hangout

with nineteen year old girls everyday?

# Nunca tinha ouvido nada sobre Dias Incríveis até o trailer de Se Beber Não Case. Por coincidência, logo depois de ver o filme dos aloprados em Vegas, tava folheando a revista da Net e vi que ia passar. Dublado, mas enfim, era o que tínhamos para o momento.

# O começo é engraçado por ser tão, mas tão absurdo (o que é o Mitch-A-Palooza). Ali o filme te pega. Depois, mantém pelo fato de ser uma produção “de amigões” e por ter dois caras que é preciso admitir, são muito engraçados: Vince Vaughn e, principalmente, Will Ferrell. Ok, se você for mulher, talvez não curta tanto.

# A Elisha Cuthbert é uma gracinha. Mas vamos combinar que ela não passa mais por menor de idade, né?

# A cena da aula de boqu.. ops… enfim, a cena é genial. Não esqueçam dos…

# Falando sério. O que parece ser um problema para Dias Incríveis é que ele fica no meio do caminho. É mais “inteligente” do que uma simples comédias de adolescentes, mas bobo demais para ser uma comédia adulta.

old

Dias Incríveis (2003) ***

Se Beber, Não Case

Posted in Uncategorized on setembro 11, 2009 by Carlos Corrêa

hangover

Whose fucking baby is that?

# Antes de mais nada, não tem como ignorar o título em português, né? Hangover poderia bem tranquiilinho virar Ressaca ou algo assim. Os gênios transformaram em Se Beber, Não Case. Parabéns.

# Rápido e rasteiro, eu diria que achei o filme engraçado, mas que esperava um pouco mais. Em outros casos, eu diria que a culpa é do trailer que entrega algumas das cenas mais legais ou então minha própria expectativa. Mas dessa vez não. Dessa vez eu sei quem é o culpado. É o taxista.

# O taxista. Vamos lá. Seguinte, fui ver o filme numa sessão das 23h30min. Pode não ser o filme mais sacaninha da história, mas definitivamente não é um filme para crianças. A menos que o taxista tenha superestimado o papel da galinha e do tigre. Pois bem, o taxista foi com a família: ele e a mulher numa fileira, na de trás a sogra e a filha. De no máximo uns 6, 7 anos. Hangover não é um filme para uma criança de 6 ou 7 anos. E, claro, a coitadinha não quis ver o filme. Primeiro miou. Alto. Saiu, foi comprar pipoca. Claro que em meio ao filme. Voltou, continou sem curtir o filme. Ao invés de um dos idiotas que estavam com ela sair do cinema com a guriazinha, não, devem ter dito “fica aí brincando enquanto a gente vê o filme”. E foi o que ela fez. Ficou correndo pra lá e pra cá no cinema. E lá se foi qualquer chance de eu prestar atenção só no filme. A irritação com o desrespeito dos outros foi aumentando e ao invés de eu achar graça das piadas do filme, eu ficava pensando “o que diabos essa pirralha vai fazer agora”, achando que já tinha feito de tudo. Até que o taxista, o supremo imbecil do cinema, deu uma lanterna pra guria. Que não só passou a correr pelo cinema, como agora apontando a lanterninha pras outras pessoas. Show de bola. Troquei de lugar, mas já era meio tarde demais pra achar graça. Ainda mais que ela seguia falando alto.

# Em tempo: a bizarrice do filme é divertida e, de longe, o gordinho barbudo é o mais engraçado. Se bem que tem o Mike Tyson…

# Quem gostou muito, mas muito mesmo do gordinho, deve acessar esse site aqui. Be happy.

# Nem ouse sair do cinema até que os créditos tenham se encerrado.

hang

Se Beber, Não Case (2009) ***

Brüno

Posted in Uncategorized on setembro 10, 2009 by Carlos Corrêa

brüno

I am going to be the biggest Austrian celebrity since Hitler

# Não tem como fugir da comparação entre Brüno e Borat. Então nem vou tentar.

# Borat pode não ter um roteiro que valha muitos elogios, mas tinha pelo menos um fiapo de história, que era o débil que ia atrás da Pamela Anderson. Brüno não tem história nenhuma. É engraçado, mas nada mais é do que uma seqüência de cenas sem lá muita ligação entre uma e outra. Nesse ponto, Borat é mais interessante.

# Brüno é mais crítico que Borat. Talvez pelo próprio tema, não sei, mas a reação das pessoas ao tema da homossexualidade é muito mais chocante do que à estranheza que tinham a um estrangeiro maluco. E aí a crítica. Não tem essa de que estamos quase em 2010 e o pessoal já aceita muito melhor esse tipo de assunto. Não aceita nada, todo mundo sabe. Pelo menos o Sacha Baron Cohen fez graça disso.

# É exagerado? Claro que é. Mas quem vai ver um filme desses sabe que é exagerado. Ao menos a mim não incomodou umas barradas forçadas.

# Aliás, algo que me incomodava um pouco no Borat e aqui foi mais na boa foi o fato de ficar tentando adivinhar o que era armação ou não. Partir do princípio que TUDO é armação é tão mais prático que em alguns momentos tu até curte quando começa a imaginar que não seja, tipo a cena da luta ou a do instrutor que faz o cara largar mão de ser gay. Em compensação, aquela cena dele no programa de TV em nenhum momento parece ser natural.

# Nunca Brüno vai passar na TV aberta. Nunca. Ou vai ser tão cortado e cheio de piiiis que vai ser pouco mais do que um curta-metragem.

# Quer saber? Brüno é mais divertido que Borat.

bruno

Brüno (2009) ****

Arraste-me para o Inferno

Posted in Uncategorized on setembro 10, 2009 by Carlos Corrêa

drag2

I beg and you shame me?

# Contextualizando antes. Não lembro a idade ao certo, mas devia ter uns 10, 12. Fui à locadora e peguei A Morte do Demônio. Era umas 17h, já que se eu não ligasse a luz, o quarto ficaria meio escuro. Eu não liguei. A vó tava na cozinha e eu lá em cima, no quarto, sozinho. Botei o filme. Acho que antes da primeira meia hora me caguei de medo e desliguei. Preferi descer. Foi o único filme de terror da minha vida que eu levei medo.

# Depois de ter visto Arraste-me para o Inferno, agora A Morte do Demônio é um dos filmes de terror que eu me arrependo de nunca ter visto. E que terei que ver o quanto antes.

# Tenso. Violento. Nojento. Engraçado. Muito bom. Acho que resumidamente é isso.

# Sam Raimi é esperto. As cenas exageradas e nojentas, e consequentemente engraçadas, são mais do que necessárias pro filme. É a válvula de escape pros momentos mais tensos, e eles estão lá quase que o tempo todo. Tu ri de nervoso, tu acha graça de estar tenso. E quando acha que ele vai aliviar, toma na cara de novo. Assim que filme de terror nesse estilo tem que ser.

# Mais pontos para o diretor pelo final. Sem essa de dar uma pipocadinha.

# #chupajogosmortais

# Eu sempre tive medo de ciganas.

drag

Arraste-me para o Inferno (2009) ****