Arquivo de dezembro, 2009

Californication – 3ª temporada

Posted in Uncategorized on dezembro 29, 2009 by Carlos Corrêa

I just want to tell you something

# São duas conclusões, mas dá pra fazer elas em qualquer ordem que não se está mentindo. Pode tanto ser “Californication continua sendo ótimo, mas essa terceira temporada, na comparação com as duas primeiras, ficou um pouco abaixo” ou “Na comparação com as duas temporadas anteriores, a terceira de Californication ficou um pouco abaixo, mas ainda assim continua ótimo”. Decide aí qual é a melhor para ti. Eu ficaria com a segunda, mas sou suspeito.

# Ontem li na internet – sorry, lembro o site – o que acredito que seja a melhor definição de Hank Moody: Peter Pan hedonista.

# Olhando agora, que a temporada terminou, até dá para fazer uma leitura de que tinha uma história ali, que ia devagarinho, mas ia. Mas vendo um capítulo por semana, a impressão é que a série tava virando meio que um Two and a Half Men, com episódios engraçados e tal, mas que se encerravam neles mesmo. Dois deles pelo menos foram engraçadíssimos: o que o amigo dele de NY vai pra LA (a cena da anã tomando ceva quente é a melhor da temporada) e o da confusão no apartamento.

# É preciso tirar o chapéu para o Showtime. O canal não tem medo de correr riscos ou de arriscar finais que não se encaixam no perfil happy ending – fora que conseguiram segurar a onda da série mesmo fugindo um pouco da questão casalzinho, já que a Karen aqui não aparecia todos os episódios. Não bastando terminar (no mesmo dia!) a temporada do Dexter com a morte da mulher do mocinho, eles ainda jogam Hank no fundo do fundo do fundo do poço. E ainda assim rendeu o melhor episódio da série até hoje, rivalizando só com o piloto da primeira temporada.

# Sempre achei engraçada a trama do Charlie e da Marcy, mas nessa temporada acho que eles se puxaram ainda mais. Tá cada vez melhor e mais divertida. Ah, injustiça se eu não lembrar aqui que a Becca também foi genial nesse ano.

# Pegando o gancho do episódio final, cá entre nós, qual era a culpa do Hank em ter comido a Mia na primeira temporada? Ninguém realmente acha que ela passava por menor de idade, certo? Fora que ele não estava com a Karen, que diga-se de passagem estava noiva. Entonces…

# Vou ficar em um exemplo só. Para quem já comeu a Surfergirl, o medidor de gostosas da terceira temporada deixou a desejar. Bastante.

Californication – 3ª temporada (2009) ****

Dexter – 4ª Temporada

Posted in Uncategorized on dezembro 28, 2009 by Carlos Corrêa

It doesn’t matter what I do, what I choose. I’m what’s wrong. This is fate

# Tem quem ache a primeira ou mesmo a segunda. Para mim, essa quarta temporada foi, disparada, a melhor de Dexter até agora. Não consigo, diga-se de passagem, pensar em outra série melhor em 2009. E isso inclui Lost e Californication.

# Eu nunca achei o Michael C. Hall ruim, mas também nunca achei nada demais como ator. Revi todos os meus conceitos a respeito disso nesse ano. O Dexter 2009 é o mais complexo de toda série até agora, equilibrando-se todo capítulo entre o lado serial killer, agora deslumbrado com o Trinity, e o lado família. E quando o desafio de Hall era justamente o mais complicado, mais ele destacou-se. Ponto pra ele.

# Aliás, o trabalho de Hall não foi o único a ganhar destaque nessa quarta temporada. Jennifer Carpenter esteve ótima e a cena dela quando a repórter assume que matou o agente Lundy é certo uma das melhores da série. O casal Laguerta e Batista também deu liga e o que poderia ser muito chato acabou rendendo uma trama interessante. Mas Dexter mostra pela segunda temporada seguida que chamar os atores certos para fazer as “participações” vale a pena. John Lithgow faz com que cada segunda que esteja na tela seja acima da média e o Trinity dele estabelece um padrão dos mais altos daqui para a frente no que diz respeito aos antagonistas de Dexter. Deu show.

# Bom elenco e uma trama interessante garantem, geralmente, um material de boa qualidade. A diferença é que o pessoal de Dexter não se acomoda em conseguir isso. É interessante perceber como a série é uma das que mais ousa atualmente na televisão. E não digo nem em relação aos temas, mas ousa em relação a si mesmo. Em várias situações tu para e pensa: “tá, agora não tem mais por onde eles irem”. E eles vão. É jusstamente não ter esse medo de arriscar que faz com que tenhamos a certeza de que vale a pena assistir a um episódio porque sabemos que não será uma hora de mesmice. O chocante final da temporada é a maior prova disso. Mas nem de longe é a única.

Dexter – 4ª Temporada (2009) *****

500 Dias com Ela

Posted in Uncategorized on dezembro 20, 2009 by Carlos Corrêa

– Did you ever even have a boyfriend?
– Of course.
– What happened, why didn’t they work out?
– What always happens? Life.

# 500 Dias com Ela é só o melhor filme feito em muitos anos. Tirando isso, não tem nada demais.

# O filme é da Fox Searchlight, mas se ao invés de passar no cinema, fosse um programa do Discovery Channel daria na mesma. Porque, você pode gostar ou não, mas as as coisas acontecem EXATAMENTE daquele jeito. E é por isso que 500 Dias é tão bom, porque é impossível que a pessoa não veja e não se identifique com uma das situações. Isso se não se identificar com trocentas ou sair da sala achando que o roteirista tem te espionado nos últimos anos. 500 Dias não é um romance, não vai achando que é uma comédia engraçadinha porque apesar de muito divertido, ele bota o dedo na ferida lindamente e, desculpa avisar, mas tu vai sair de lá pensando muito mais do que quando entrou. Todo mundo já foi o Tom da história e muito provavelmente, também foi a Summer (sem piadinhas, ok?). E é isso que te faz pensar tanto, te faz sentir aliviado e ao mesmo tempo culpado. Pra depois ficar aliviado e depois culpado e depois achar que é assim mesmo e ficar ou aliviado ou culpado. Pode mudar só a ordem.

# A Summer é mocinha ou é vilã? Eu e tu sabemos que nem uma coisa, nem outra. E é por achar ela FDP lá pelas tantas que depois a gente se sente idiota ao perceber que não, ela não tem culpa nenhuma de nada, fora que sempre jogou aberto. Essa é provavelmente a hora em que tu se coloca na situação do cara e se sente um idiota por ter acreditado que ou ia mudar ela ou que era papinho só. Meno male que vendo ela dar a real pro cara é confortante na medida que quem passou por uma situação parecida se sente um pouco menos culpado (ainda que não deva sentir culpa alguma na real, just happens).

# Em grande parte, é fácil (ao menos para os caras) se identificar com o carinha porque é uma barbadinha se apaixonar por uma guria como a Summer. Primeiro porque ela pode não ser de cair o queixo, mas é a Zoey Deschanel bem bonitinha e charmosa. Segundo, porque é divertida e inteligente. E terceiro, porque é muito mais fácil tu dar de cara com uma guria assim na vida do que com uma Pamela Anderson.

# A cena dele se imaginando no musical é legal, mas a mais fantástica de todas, a que vai ficar por muito tempo é a que divide a tela entre realidade e expectativa. Das melhores coisas que alguém já fez.

# Já sei, adorou a trilha e vai citar Smiths. Que Smiths o que, a trilha serve para que se descubra uma banda bacana como The Tender Trap, que estava escondida na Austrália. Vai e ouve Sweet Disposition aqui, depois a gente conversa.

500 Dias com Ela (2009) *****

Spread

Posted in Uncategorized on dezembro 13, 2009 by Carlos Corrêa

– It´s seven.
– It´s not seven.

# Imagino que a ideia era fazer de Spread o instrumento perfeito para que Ashton Kutcher virasse o cara mais fodalhão do cinema atual entre as mulheres. O cara passa pelo menos um terço do filme sem camisa e fazendo zoinho. Como o filme fracassou, o marido da Demi Moore não chegou lá.

# Não importa se é mocinho ou vilão, protagonista tem que ter carisma. E também não importa se o cara é um idiota ou ou FDP, um roteiro bem escrito e/ou uma boa atuação seguram as pontas direitinho. O Silêncio dos Inocentes tinha um canibal de protagonista e te prendia. Um Grande Garoto mostrava um cara que mentia que tinha filho só pra comer mães solteiras e era legal. O Ashton Kutcher de Spread é um babaca, um idiota, só isso. Não é um tanso que faz coisas tansas com boas ou ingênuas intenções, é um sanguessuga simplesmente. E pra completar, a namoradinha dele no filme é a mesma coisa.

# Ok, é difícil tirar leite de pedra com tantos clichês. A história do cara que se acha irresistível mas que toma um não, aí se apaixona pela guria do não e faz de tudo para mudar de vida meio que já cansou, não?

# A ideia era transformar o protagonista em um novo ícone da moda? Com aqueles lenços no pescoço e…e… suspensório?!?!?!?!

# A namoradinha vagabinha atende pela graça de Margarita Levieva e é muito gata, é verdade. Mas confesso que nesse aspecto me chamou muito mais atenção o quanto a Anne Heche, ex-Ellen DeGeneres, está absurdamente sensual e gostosa. Absurdamente.

# Ah, ponto a favor. TODAS as gostosas, mas assim TODAS, aparecem peladas.

# Quantas vezes eu preciso ganhar na Mega-Sena para ter aquela cobertura? Duas vezes só não adianta.

# Nojenta a cena do sapo, não?

Spread (2009) **

Crepúsculo

Posted in Uncategorized on dezembro 13, 2009 by Carlos Corrêa

You don’t know how long I’ve waited for you.

# Perdoai-vos, Bram Stoker. Eles não sabem o que fazem.

# Na boa, Crepúsculo é meio que nem o Beckham. Nem tão bom quanto os fãs dele acham, mas também longe de ser a bosta que quem não gosta acusa.

# Eles nunca são vistos quando tem sol, tem a vida inteira 17 anos, são mais brancos que anêmico em estado terminal e NINGUÉM desconfia de nada?

# É uma história teen. Então claro que é preciso dar um desconto. Se eu achar o filme ótimo, bem, então tem alguma coisa errada. E apesar de toda a caretice de Crepúsculo, vamos combinar que ele até que é indolor, dá pra ver sem maiores problemas. E o par de protagonistas segura a onda bem na boa.

# Daí a achar esse Robert Pattinson um galã, só uma descerebrada de 13 anos…

# Quer mudar um aspecto que já faz parte da mítica? Tenta ao menos mudar para melhor. Os vampiros não morrem mais com a luz do sol? Beleza. Mas daí a ficar douradinhos? O que? A luz do sol transforma o vampiro-emo em uma boneca pintada com purpurina dourada!!! Aí não dá.

# A autora da trilogia, Stephenie Meyer, rende, não?

# Cada geração tem a sua releitura de vampiros que merece. Eu ao menos nos anos 80 via Os Garotos Perdidos.

# A versão de Drácula de 1992, do Coppola, continua sendo a top-top quando o assunto é vampiro. Logo atrás vem o Nosferatu original, de 1933. Depois o resto.

Crepúsculo ( 2008 ) ***

Os EUA contra John Lennon

Posted in Uncategorized on dezembro 13, 2009 by Carlos Corrêa

I believe time wound all heels

# John Lennon foi o melhor do Beatles e ser o melhor da melhor banda de todos os tempos, concorrendo com Paul e George não é pouca coisa. A diferença é que Lennon é um personagem muito mais interessante do que os outros porque não se resume à música. Qualquer um que conhece um pouquinho da história dos Beatles sabe também que Lennon passa longe da perfeição em termos de caráter. Ainda assim, nosso Fab Four favorito foi inegavelmente um ícone e nesse aspecto ligado a coisas positivas, e nem só de música estamos falando. Se colocar tão radicalmente e tão explicitamente contra a guerra nos anos 60 não era lá um exercício tão fácil, como o filme deixa bem claro. Combater algo tão sinistro, mas objetivo com palavras é quase que unicamente utópico. Mas se ninguém for utópico, o que sobra? E a mensagem era bem simples: all we are saying is give peace a chance. Pena que não deram e continuam não dando.

# Os EUA são tão mais vilões tão mais fdp em documentários do que em filmes de ficção…

# Aquele velho ditado da “justiça tarda, mas não falha” é verdadeiro. Mas o não falha não é mérito da justiça, e sim do tempo. Sempre têm idiotas suficientes para defender idiotas maiores que apitam ou querem apitar. É o tempo que vai se encarregar de mostrar o quão idiotas essas pessoas eram. Mas esquece, isso nunca acontece quando tu quer, é sempre muito tempo depois. Ou alguém agora diz que votou no Collor e na Yeda? Por isso, Lennon estava mais do que com a razão quando, terminada finalmente toda a ronha judicial, alguém pergunta pra ele se está com remorso ou algo do gênero, e ele responde algo como “Absolutamente. Acredito que o tempo se encarrega dos babacas”.

Os EUA contra John Lennon (2006) ****

Terra de Sonhos

Posted in Uncategorized on dezembro 11, 2009 by Carlos Corrêa

It’s not “José, can you see”, it’s “Oh say, can you see”

# Terra dos Sonhos é o que é, um baita filme, por vários motivos, da habitual qualidade do Jim Sheridan, diretor e roteirista à qualidade do elenco encabeçado por Paddy Considine, Samantha Morton e Djimon Hounsou. Mas mais do que tudo, o que faz a diferença toda a favor do filme são as guriazinhas, que impressionam pela naturalidade com que encaram uma história que de meiguinha não tem nada. A menorzinha, Emma Bolger, então, entra direto num Top 5 de crianças mais fofas da história do cinema.

# As duas guriazinhas são irmãs de verdade. De acordo com o IMDB, a mais velha ganhou o lugar no filme indicada pela mais nova.

# A fotografia e a direção de arte são tão boas que tu pode estar a cinco graus em casa, que vendo o filme vai sentir o calor que eles sentem no filme.

# Samantha Morton joga no mesmo time da Jennifer Connelly e do Jim Caviezel. Podem interpretar um vencedor da Mega Sena que parecem as pessoas mais tristes do mundo.

# E mais uma vez a minha tese se confirma. Se tu quer usar o Oscar como referência de qualidade, esquece a categoria melhor filme. Vai direto em roteiro. Terra dos Sonhos não levou o prêmio, mas perdeu pra Lost in Translation, então tá na boa.

# Qual é a doença do negão afinal?

Terra dos Sonhos (2002) ****