Arquivo para março, 2010

Gol 2

Posted in Uncategorized on março 25, 2010 by Carlos Corrêa

Forget the money, forget the press, the cameras. Forget everything. Enjoy

# Assim, se tu deixar o lado crítico de lado (e isso inclui tanto o lado de cinema como de futebol), dá pra ver esse Gol 2 tranquilinho. A história não tem nada demais, tu já sabe o final, mas passa na boa como uma Sessão da Tarde e, exageros à parte, traz um pouco do dia-a-dia de um jogador desse nível. Vai de sangue doce que tá na boa.

# A edição do filme é muito foda. Até procurei alguns dados na internet, mas não achei. Mas não acho que eles tenham conseguido convencer todos os times que aparecem a gravar tanto tempo. Então suponho que eles filmaram jogos reais do Real na Champions League e depois editaram com imagens do protagonista. O resultado é quase de cair o queixo e realmente parece que o chicaninho boca-aberta está ali jogando com os caras.

# Alguém podia ter avisado o roteirista que no futebol existem gols antes dos 40 minutos do segundo tempo. E que dificilmente um jogador pega a bola na defesa, aplica dribles de videogame em todo o time adversário e acerta o ângulo. Em todos os jogos. Mas, na absurda hipótese de isso acontecer, no terceiro jogo, essa criatura é titular. No filme, o chicaninho sempre entra no final, sempre faz o gol decisivo e sempre é um gol que nem uma cruza do Pelé com o Maradona faria. E ainda assim é reserva.

# Gol 2 é o melhor comercial de todos os tempos que um clube de futebol já teve. A impressão é que o Real Madrid é o melhor, o segundo melhor e o terceiro melhor time de todos os tempos, com a melhor estrutura de todas. Ok, pior que a estrutura deve ser mesmo. Como a ideia aqui é bilheteria, foda-se mostrar os melhores jogadores. Azar se na época do filme o Real tinha Zidane e Ronaldo. Vamos de Beckham, Beckham e Beckham. Tem Beckham para todos os gostos. Até no cartaz.

# Dispensável aquela história do irmão dele e tal, não?

# Custava ter escolhido um ator que soubesse pelo menos chutar uma bola? Nem precisa o resto, porque a edição dos lances é realmente impressionante, mas esse Kuno Becker não sabe nem enquadrar o corpo como um jogador de futebol. Cada chute dele – e todos são iguais – parece um personagem de desenho japa. O cara que faz o amigo dele, o Alessandro Nivola, por exemplo, passa perfeitamente por jogador. Botaram decerto um guri que só via beisebol em casa pra jogar bola, dá nisso.

# O Santiago Bernabeu é o estádio mais afudê ever.

# Cheguei a dizer que eu também já joguei no Real Madrid? A foto aí de cima foi na minha chegada, minha primeira entrevista coletiva por lá. Foi bacana. Deu pra ganhar umas Champions Leagues e uns Campeonatos Espanhóis.

Gol 2 (2007) ***

Anúncios

Uma Noite Alucinante

Posted in Uncategorized on março 24, 2010 by Carlos Corrêa

Gimme back my hand…

# Nem tenho muito o que falar aqui. Filmes, além de músicas e outras coisas, podem ser misturados às lembranças e isso acabar influenciando um tempo depois o teu critério de qualidade sobre eles. Muitos filmes e músicas que a gente ouvia quando era menor permanecem até hoje com aquela impressão que são muito legais e tudo mais. Mas para cada Curtindo a Vida Adoidado e Os Goonies, tem lá seu A Lenda de Billie Jean ou os discos dos Engenheiros, que quando a gente vai ver/ouvir hoje, acha uma bela porcaria (ok, o Longe Demais das Capitais ainda se salva). Eu não vi Uma Noite Alucinante quando era criança. Até comecei a ver, mas era muito pequeno, tava sozinho no meu quarto, tinha começado a escurecer e eu pipoquei. Passou o tempo e eu cresci ouvindo as pessoas dizendo o quanto era assustador e afudê o filme, que de fato virou cult. Nunca tinha visto um filme de terror do Sam Raimi até Arraste-me para o Inferno, que eu achei bom demais. Então tudo levava a crer que eu ia achar Evil Dead II pelo menos divertido. E não. O filme, convenhamos, é uma porcaria. A história é um fiapo, os personagens são toscos e os efeitos especiais ridículos. Definitivamente, eu devia ter visto quando era criança. Perdi a chance de achar legal.

Uma Noite Alucinante (1987) **

Lunar

Posted in Uncategorized on março 24, 2010 by Carlos Corrêa

Sam, get some sleep. You’re very tired

# Não são muitos os filmes os quais tu lê uma crítica positiva aqui e ali e na hora que vai ver, com a expectativa grande, ele vai e te ganha, provando que é bom mesmo. Lunar é desse time. E olha que sendo ficção científica, a coisa é mais difícil ainda.

# O mais legal em Lunar é que quando parece que ele vai ficar meio pretensioso demais é justamente quando a história engrena. Aproximadamente uns 5 minutos depois de tu parar na frente da TV e se perguntar “what the fuck?”. Também, muito mais não dá para falar porque senão estraga a “surpresa”.

# Injusto comparar Lunar com 2001. Esse aqui tu consegue ver inteiro sem dormir.

# Não fazia ideia que o diretor Duncan Jones era filho do David Bowie. Quer dizer então que o cantor é a mãe? Quem é o pai, o Mick Jagger?

# Puta injustiça nenhum prêmio ter reconhecido o trabalho de Sam Rockwell.

# E Moon virou Lunar. Ô beleza…

Lunar (2009) ****

Garota Infernal

Posted in Uncategorized on março 18, 2010 by Carlos Corrêa

– I thought you only murdered boys.
– I go both ways.

# A Liz Hurley e a Kate Beckinsale já tinham meio que dado a dica: quando uma mulher é tão, mas tão absurdamente linda, ela pode estragar o filme porque tu acaba não prestando atenção em nada mais que não nela. Eu acho a Mega Fox um absurdo, mas bota absurdo de tão gostosa e tão linda. Mas ou eu tô ficando mais velho e mais chato ou ela ainda tá um pouco atrás das outras citadas. Senão até daria para ver Garota Infernal. Bastaria prestar atenção só nela e pronto. Mas não. A história é tão, mas tão ruim, e ela é tão, mas tão má atriz que não adianta, tu se irrita. Só não é o pior filme dos últimos tempos porque alguém fez aquele Mamma Mia!

# Ok, vamos tentar de outra forma. As “melhores” cenas do filme são ela beijiando a outra loirinha, ela saindo pseudo-pelada do lago e os trocentos closes na boca e nos peitos dela. Ela Megan Fox, claro. Todas essas cenas têm no trailer. Que dura menos de três minutos. Vale mais a pena.

# Garota Infernal: Amanda Seyfried como protagonista. Mamma Mia: Amana Seyfried como protagonista. Pense bem, mas pense MUITO BEM antes de ver algum filme com essa moçoila.

# Na época do Juno, eu virei fã da Diablo Cody, a roteirista do filme. Até porque o roteiro e os diálogos do Juno eram demais. Expectativa lá em cima. Ano passado fui ver a tal série de TV criada por ela: United States of Tara, com a Toni Collette. Não consegui passar do segundo episódio de tão chato. Meus créditos com Diablo já estavam no 0 a 0. Depois de Garota Infernal, ela me deve muito.

Garota Infernal (2009) *

Preciosa

Posted in Uncategorized on março 2, 2010 by Carlos Corrêa

Love ain’t done nothing for me! Love beat me down! Love rape me!

# O risco de dar errado e passar do ponto era grande. A história de alguém que por algum (alguns) motivo (s) é sofrida e rejeitada, mas começa uma jornada rumo à redenção ou algo parecida é clichê dos grandes e apelar pro sentimentalismo só pioraria as coisas. E em alguns momentos, Preciosa até parece que vai cair num desses chavões, quando fica naquele lance da professora com a aluna, que juntas, brigam contra tudo e contra todos. Mas o diretor e o roteirista foram inteligentes o suficiente para saber que a grande história não era essa e que nem precisava forçar muito a barra. Preciosa é um pontapé no estômago. É uma porrada na tua cara a cada 10 ou 15 minutos e mostra que sempre pode ficar pior. Mas nem assim é um filme deprê. E ao não tomar a solução fácil de fazer o espectador ter simplesmente pena da protagonista, se diferencia das outras produções do gênero. E deixa claro que é melhor que elas.

# A mãe vilã interpretada pela tal Mo´Nique é daqueles personagens que tu já odeia com cinco minutos de filme. E que com 60, 70, tu quer que morra aos poucos, sofrendo muito.

# Nunca pensei que eu fosse dizer isso, mas… Mariah Carey se sai bem como atriz!!! Não deixa de ter méritos também o fato de ela, sendo uma popstar, se despir de todo glamour e maquiagem e aparecer quase feia no filme. O Lenny Kravitz não chega a comprometer, mas já parece um pouco mais forçado no papel do enfermeiro. Aliás, vai ver porque ele sempre tá de óculos escuros nos shows e clipes, mas eu nunca tinha percebido que ele tem um olho meio caído e tal.

# Se Preciosa não bateu o recorde de “motherfuckers” do Pulp Fiction, chegou perto pelo menos.

# Gabourey Sidibe é a primeira pessoa no mundo que eu tenho conhecimento que consegue ser gorda até no olho!!!! Antes de ver o filme, em algumas premiações, eu tinha até a impressão que ela era cega.

Preciosa (2009) ****

Amor sem Escalas

Posted in Uncategorized on março 1, 2010 by Carlos Corrêa

We are not swans. We are sharks.

# Como a história é engraçadinha e não vai muito além disso, o grande mérito do filme acaba sendo toda a crítica que ele faz entre uma piadinha e outra. Não é, claro, a primeira vez. Assim, de cabeça, outro filme com temática parecida que eu lembro é Ou Tudo ou Nada. Mas lá ainda era um pouco um filme alternativo que virou mainstream. Aqui, não dá para considerar alternativo um filme com o Jason Reitman (pós-Juno) e o George Clooney. E filmes desse porte geralmente não pegam carona em temas tão atuais. Ponto a favor.

# Palestras de administração poderiam muito bem ser consideradas novas formas de tortura. Ou então entrar no mesmo rol daquelas de auto-ajuda ou enfim. De uma forma um pouco mais geral e, sim, bem preconceituosa, não consigo aguentar qualquer papo de alguém achando que situações completamente diferentes podem ser tratadas da mesma forma. O mais irritante é que – pelo menos por um bom tempo – esses trastes administradores se dão bem para caramba e viram os fodões. A guriazinha do filme é o retrato disso. Sem pôr nem tirar.

# O mais engraçado é que essas pessoas que atuam na área administrativa e de relações pessoais acham mesmo que estão fazendo um bom trabalho. Vamos lá, exemplo pessoal. Em 2003, fui demitido de onde trabalhava. Faltando 10 dias pro Natal. E aí no dia seguinte eu ainda tinha que ir “conversar” com a moça do departamento pessoal. Desse papo extremamente agradável, lembro de duas coisas. Dela me perguntando por que eu havia sido demitido. Filha, eu que fui demitido, tu tem que perguntar isso pra quem me demitiu, não pra mim, certo? Óbvio que eu só pensei isso, não falei porque não sou louco. Larguei um “não sei, ora” e era isso. Logo em seguida, ela me disse, achando que eu ia adorar a notícia, que eles iam me ajudar na “recolocação no mercado”. Hahaha. Óbvio que era lorota. Mas deu tudo certo e sem nenhuma participação da moça, yo já estava na labuta de novo 20 dias depois.

# Existe aquele cartão do filme?

# Caramba, em todos os Two and a Half Men que eu vi, nunca tinha percebido que a Rose tem os dentes um para cada lado.

# Parabéns, distribuidora. Você conseguiu, destruiu mais um título original  transformando Up in the Air em Amor sem Escalas. Deve ser difícil ser tão criativo e ruim assim.

# Não sei se é lerdeza da pessoa ou simplesmente nunca ter ligado o nome à pessoa. Fato é que eu nunca tinha me dado conta que o diretor Jason Reitman, o mesmo cara por trás do genial Juno, era filho de Ivan Reitman, o diretor de todas aquelas comédias adolescentes e, muito mais importante que isso, um dos Caça-Fantasmas!!!

# CUIDADO!!! SPOILER!!!!

# Bom, avisei, então se não viu o filme, para aqui. Ok. Seguinte, se era para ser a “surpresa” do filme, fodeu. Dá pra sacar antes da metade do filme que a pegadinha do Clooney (aliás, Vera Formiga em GRANDE momento) é casada. Eu tinha a impressão que ela ia falar isso naquela conversa quando a guriazinha chora na entrada do hotel. Ahááá, ganhei de ti, Clooney. Trouxão.

Amor sem Escalas (2009) ***

Guerra ao Terror

Posted in Uncategorized on março 1, 2010 by Carlos Corrêa

If I’m gonna die, I want to die comfortable

# A maior injustiça que pode se fazer com Guerra ao Terror é contrapor o filme a Avatar por ser o “único a rivalizar no Oscar”. Primeiro, porque tratam de coisas completamente distintas. Segundo, porque esse aqui é bem melhor do que a produção do James Cameron. O problema é que quem enche demais a bola do filme da ex-mulher do diretor do Titanic para dar pau em Avatar (que é legal e fica nisso) acaba criando uma expectativa além do necessário para a trama da Sra. Kathryn Bigelow. Guerra ao Terror é melhor que Avatar. Mas também não é um filmaaaaaço, um filme incontestável, o melhor filme do ano, etc e tal. Tranquilo, tranquilo, Bastardos Inglórios é melhor do que os dois.

# Fora o Guerra do título, que fique claro que Guerra ao Terror NÃO É um filme de guerra. Quem vai esperando tiroteios e afins, tira o equino da precipitação pluviométrica. The Hurt Locker tem o seu ritmo bem na manha, sempre tenso, mas dificilmente acelerado.

# Não lembro de ter lido UMA só crítica em que não tenha se dado pau no fato de o filme ter sido lançado discretamente no começo do ano passado direto em DVD. Mas não deixa de ser engraçado, já que nesse mesmo começo do ano passado NINGUÉM falava no filme. Bastou começar a ganhar prêmios e indicações pra todo mundo lembrar o que não conhecia.

# Qualquer diretor(a) que aposta num elenco basicamente de desconhecidos, mas chama uma cara mais conhecida só pra ir lá e matar ela sem dó nem piedade no começo do filme ganha o meu respeito.

# Já estava mais do que na hora do cinema começar a apostar com força nas guerras novas. Nada contra, mas vamos combinar que produção ambientada na II Guerra já deu o que tinha que dar.

# The Hurt Locker virar Guerra ao Terror só mostra o quanto as distribuidoras aqui no Brasil se superam mais e mais na arte de fazer merda com títulos originais.

# Eu achei o ator principal uma mistura de Gerrard Butler com sei lá quem. É, eu sei, provavelmente só eu achei isso. De qualquer forma, Jeremy Renner tem uma daquelas atuações pra não deixar dúvida de que se trata de um grande ator.

# Mesmo que o filme fosse ruim – o que não é – já valeria pela participação de nossa musa-mor Evangeline-a-Kate-do-Lost-Lilly.

Guerra ao Terror ( 2008 ) ****