Arquivo para abril, 2011

Além da Vida

Posted in Uncategorized on abril 23, 2011 by Carlos Corrêa

– So you think I really did experience something?
– Oh, yes.I think you experienced death.

# Clint Eastwood dirigiu Sobre Meninos e Lobos e Menina de Ouro. Já tinha dirigido lá atrás Os Imperdoáveis. Depois que o cara assina três filmes como esses, não adianta, a expectativa em relação a ele vai ser sempre alta. E aí é aquela coisa, se fosse outro diretor, o filme até poderia ser menos criticado, mas como é ele acaba sendo um filme “menor”. Além da Vida não tem nada demais. Mas também não tem lá nada de menos. Poderia resvalar muito mais para o sentimentalismo, mas o velho cowboy sabe se segurar naquela linha complicada entre a sutileza e a choradeira, ainda mais para um tema – vida além da morte – fácil de se exagerar.

# E sim, a cena inicial da tsunami é impressionante demais.

# Não chorei.

Além da Vida (2010) ***

Anúncios

Carlos

Posted in Uncategorized on abril 11, 2011 by Carlos Corrêa

Words get us nowhere. It’s time for action

# Um filme para segurar as pontas por inacreditáveis 5h30min tem que ser bom. Carlos, o filme, não eu, segura na boa. Mas na dúvida, eu aconselho a fazer como eu, ver separado, em três partes. Porque sabe, né? Mais de cinco horas parado na frente de uma TV, nem com a trilogia do Poderoso Chefão.

# O filme tem cenas em inglês, francês, árabe, alemão e espanhol. Não um ou outro diálogo, mas cenas inteiras. Ou seja, ESQUECE a possibilidade de ver sem legendas. E o Édgar Ramírez matou todas essas no peito. Ou seja, uma atuação soberba em vários aspectos e não só naqueles “ganha-perde” peso para viver o personagem. O que ele também faz, diga-se de passagem.

# Separadas, as três partes parecem bem distintas. A primeira delas é mais histórica do que qualquer coisa. A segunda, a mais crítica, a que aparecem as primeiras contestações deles mesmo sobre o que fazem e a que interesses servem. E acho que a terceira é a mais “cinematográfica” das três, e talvez, por recorrer a alguns clichês, a menos boa. Menos boa porque todas são ótimas.

# Carlos tem outro mérito inegável. Ele não faz julgamento de valor, mesmo sendo o protagonista um mercenário, um terrorista. Por “não faz julgamento de valor”, leia-se isso mesmo e não um “ele romantiza” o personagem. O filme tem o cuidado de, sempre que parece exaltar o cara, ir lá e mostrar um outro lado dele, um mais egoísta e mais violento. Bota as cartas na mesa e quem quiser, faz o julgamento que achar necessário.

# Há uma cena em especial que parece absurda. Os mercenários querem explodir um avião no aeroporto. Pois bem, eles colocam uma bazuca na sacola, entram no aeroporto, chegam ao terraço, com um monte de gente à volta, tiram ela da sacola, atiram num dos aviões e saem correndo. Aí tu para, pensa e acha que passou o limite de forçar a barra, até porque, onde já se viu a chance disso acontecer. Aí tu vai procurar na internet e nos livros e vai ver que isso aconteceu. Exatamente assim. Ah, os anos 1970. Claro que, pós-2001, isso virou um cenário impensável.

# E o aliado de hoje é o inimigo de amanhã e o aliado de depois de amanhã. Isso nos anos 60, nos 70, nos 80, 90, 00, 10…

# Esse senhor acima é o verdadeiro Carlos, o Chacal.

 

Carlos (2010) ****

O Sonho de Cassandra

Posted in Uncategorized on abril 8, 2011 by Carlos Corrêa

Blood is blood! You don’t ask questions. You protect your own

* Sim, todo aquele papo clichê de que os filmes do Woody Allen mesmo quando não são tão bons, ainda assim são melhores do que a maioria das coisas que aparecem por aí. O Sonho de Cassandra tá nesse rol. É bom. É melhor do que muita coisa lançada recentemente. Mas está longe de figurar num top 10 dele.

* Filho, se tu a essa altura do campeonato ainda tem aquela imagem dos filmes do Woody Allen como sempre sendo “comédias intelectuais”, tá mais do que na hora de mudar isso. Dá uma olhada nos filmes “sérios” dele e depois a gente conversa.

* Não é nada, não é nada, O Sonho de Cassandra te faz pelo menos se questionar o que você acha que faria numa situação parecida. Eu, como cagão assumido, obviamente não iria adiante num plano de assassinato. De qualquer forma, é sempre bacana ver nos filmes do Woody Allen como é forte esse aspecto do quanto pesam as consequências de cada um dos teus atos. Ainda mais numa situação limite como essa.

* Eu não acho o Colin Farrel mau ator. Nunca achei. Mas teve uma época que, sei lá porque, eu achava ele bom ator. Só que ultimamente tenho cada vez mais a impressão que ele é daquela turma que tem umas duas ou três expressões. No caso dele, a “expressão angústia” ou “expressão stress” é mais do que recorrente. E meio que já encheu.

* Hayley Atwell. Se o filme fosse ruim, o que não é, ainda assim valeria pelo fato de ter conhecido Hayley Atwell.

O Sonho de Cassandra (2007) ****

Frost/Nixon

Posted in Uncategorized on abril 5, 2011 by Carlos Corrêa

– Are you really saying the president can do something illegal?
– I’m saying that when the president does it, it’s not illegal!

# Michael Sheen. Mais um que passou do status “de onde mesmo eu lembro desse cara” para um nível Thedy Corrêa de onipresença. Mais um tempo e ele vira o novo Mark Ruffalo.

# É, vamos combinar que estava na hora de aparecer um filme no qual os jornalistas não são tratados como os filhos da puta da história. E esse além do mais serve para deixar claro que não basta “instinto” ou coisa do gênero. A entrevista só ficou boa, ele só conseguiu amarrar o Nixon porque o trabalho de pesquisa deles foi longo e impecável.

# Com um bom roteiro e um bom elenco, o que em tese seria uma premissa xarope (afinal, é “só” uma entrevista), acaba se tornando uma história que te prende o tempo todo e chega a ser tensa quando preciso.

# Respeito quem faz, mas acho que pagar para alguém dar entrevista é estranho para caramba.

# Ron Howard. Taí um diretor regular. Nunca abaixo de um 6,5. Dificilmente – a exceção foi “Uma Mente Brilhante” – acima de um 8.

# Quem quiser dar uma olhada na entrevista real, aqui vai o link.

 

Frost/Nixon ( 2008 ) ***